sexta-feira, 5 de março de 2010

A ILHA DA MADEIRA

ANTES...



...E DEPOIS DO TEMPORAL

AS INCRÍVEIS PERIPÉCIAS DO CASAMENTO DA FILHA DO GENERAL COM O LENTE DA FACULDADE


Há muita história para se contar de nossos ancestrais. Uma delas envolve a família Arouche, a mesma que deu origem ao famoso "Largo do Arouche" em São Paulo, contada no site Almanack Paulistano :

Parece estranho, mas é verdade. O primeiro Diretor da Faculdade de Direito de São Paulo foi um militar, o Tenente-General José Arouche de Toledo Rendon. O velho General Arouche, cujo nome ficou perpetuado num largo, nesta capital, foi no São Paulo antigo uma figura assaz pitoresca, marcada de heroísmos incomuns, e sobre quem, até hoje, ainda não se escreveu uma biografia de corpo inteiro, já comentou uma cronista.
Ainda rapazinho, o filho do Mestre de Campo Agostinho Delgado Arouche de Toledo e de Dona Maria Teresa de Araújo Lara morou na antiga Travessa do Colégio, atual Rua Anchieta, exatamente no número 11. O número 11 era uma casa que ''oferecia aspectos solarengos, ostentando sacadas de ferro forjado beirais salientes, com telhas vidradas de calha, como ornamento; as janelas eram guarnecidas de rótulas pintadas de verde; teriam tido a mesma cor as demais peças de madeira da fachada''. O velho prédio foi substituído pelo atual, onde a Santos-Jundiaí mantém uma agência ferroviária.
Ali residiu com os irmãos e irmãs. As célebres ''Meninas da Casa Verde", todas solteiras e graciosas. Eram sete as tão famosas " Meninas da Casa Verde": Caetana, Gertrudes, Joaquina Pulquéria, Leocádia, Ana Teresa, Maria Rosa e Rudezinha, um bando gárrulo de jovens casadouras, que nunca se soube porque jamais se matrimoniaram. Paulo Cursino de Moura procura explicar: "Mocinhas da Casa Verde", porque ali, na Travessa do Colégio, pegado a Maria Punga, quituteira (Maria Emília Vieira), "no sobrado de sacadas e persianas, de rótulas-oratórios, quadradas e salientes", eternamente pintadinho desse verde garrafa, leve, brejeiro, alegre, das antigas construções coloniais, moraram as irmãs Arouche. E por serem muitas e todas, num prédio só, as meninas Arouche tomaram a feição do ambiente — "Mocinhas da Casa Verde" . Em revoada — aves sem donos, sem peias — imigravam, de quando em vez, para as bandas da Freguesia do Ò. Daí, o nome — Casa Verde — que a roça legou à cidade, dominando o bairro todo, pelo batismo dos mesmos eternos, boquejados da vida alheia".
Enquanto isso, enquanto as graciosas jovens impressionavam a rapaziada acadêmica, sem nenhum decidir por nenhuma, o mano José demandava a velha Coimbra para tentar o canudo de barechal em Direito. Aos 21 anos, 1777, ainda estudava. Dois anos depois, terminava o curso, colocando grau de doutor em leis a 3 de julho de 1779.
Regressando a São Paulo, primeiramente fez advocacia. Depois, exerceu cargos de magistratura. Mais tarde, trazendo incubada velha vocação recalcada, dedicou-se à carreira militar. E, sempre com êxito satisfatório, foi subindo nas funções que abraçara, embora tardiamente atingiu ao posto de tenente-general e, por fim, ao de marechal de campo. Brilhou mais como militar do que como bacharel.
Nuto Sant' Ana, que andou pesquisando a esse respeito, descobriu-lhe o nome entre os recenseados no ano de 1841, aqui em São Paulo, com os seguintes dados bem curiosos. Era então Arouche Rendon brigadeiro inspetor geral de Melícias dessa capitania com 57 anos, casado com Dona Maria Teresa Rodrigues de Morais, vivendo de seu soldo. Ela com 54 anos. Tinham duas filhas solteiras, um criado, dois agregados e 14 escravos; as "filhas", Dona Maria Benedita, de 26 anos, solteira, brasileira e Dona Margarida, de 15 anos, solteira, exposta, brasileira. Figura como "criado", Mariano, de 16 anos, solteiro e, como "agregados", João Dias, oriundo do Paraná, de 14 anos, solteiro, pardo, e Madalena, de 68 anos, solteira, parda. Quanto aos escravos eram Pascoal, de 58 anos, Delfina, de 32, Quitéria, de 17, Joaquim, de 16 Cipriano, de 20. Antônio, de 15, Bernadinho, de 12 e Eliseu, de 9 anos, todos criolos. Solteiros e pardos; e Tomé de 51, João, de 41, Alexandre, de 56, Tomóteo, de 21, Vitória, de 51 e Rosa, de 41, negros.
A 13 de outubro de 1827, é nomeado Diretor da Faculdade de Direito de São Paulo, juntamente com o primeiro lente, Conselheiro José Maria de Avelar Brotero.
Quando recebeu a honrosa incumbência, apressou-se o velho Arouche em manifestar a sua gratidão ao imperador, num ofício que Almeida Nogueira descobriu no arquivo da Faculdade, onde se conservava inédito. Adverte-nos, porém, que não se imagine pelo estilo do documento, que fosse o benemérito paulista um bajulador doa homens do poder. Ele não fazia senão repetir o estilo oficial da época.
Eis o inteiro teor do ofício em questão: "Senhor. Ajoelho perante V. majestade imperial e beijo a soberana mão benéfica, que acha de honrar-me com o emprego de Diretor do Curso Jurídico desta cidade. Sendo muito lisonjeiro a um súdito fiel ser lembrado de seu soberano para honrosos e importantes empregos, fica-me contudo o pesar de me faltarem muitas das qualidades necessárias para o desempenho de tão importante missão; mas, se o gosto e a boa vontade do empregado podem suprir, senão todas, ao menos uma parte delas, eu protesto perante v. majestade imperial empenhar-me em cumprir o meu dever na fiel e pronta execução das ordens de v. majestade imperial para complemento das grandes obras principais que irão elevar o Império do Brasil a par dos grandes Impérios. São Paulo, 1 de novembro de 1827. De v. majestade imperial, o mais humilde, fiel e agradecido súdito, José Arouche de Toledo Rendon.

O velho General Arouche foi grande proprietário em São Paulo, Possuía enorme chácara onde está hoje situado o bairro de Vila Buarque, segundo nos conta Spencer Vampré. Além disso, foi dono de uma porção de casas, sendo sete na Rua do Príncipe (atual Quintino Bocaíuva ); três na Rua de São José (Líbero Badaró); uma na Rua Alegre (Brigadeiro Tobias) e uma na Rua do Jogo da Bola (mais tarde Rua da Princesa e hoje Bernjamim Constant).
Da escrituração que ele meticulosamente assentava, dos aluguéis e da entrada e saída dos inquilinos, ficamos sabendo que a da Rua Príncipe n. 10 esteve alugada pôr 1$000 mensalmente, passando depois, em 1825, a 2$000 por mês; a da Rua do quartel vencia 5$000 mensais, a da Rua do Jogo da Bola, com quintal murado e portão, 1$000. A da Rua Freira n. 22 foi alugada, 1824, a Ana Policena, por cinco patacas mensais, e assim todas as outras, "podendo-se avaliar, por esses rendimentos, quanto era atrasada ainda, em seu desenvolvimento, e que a pobreza sofria a cidade, escolhida para sede do primeiro curso jurídico".
Vem de molde uma indiscrição histórica, acrescenta Spencer Vampré. Alugara Rendon uma de suas casas, à Rua do Quartel, ao Dr. Carneiro de Campos, que mais tarde o substituiu na Diretoria da Faculdade, tendo sido nomeado lente. Não parece que o futuro Visconde de Caravelas gozasse de grandes folgas de dinheiro. Eis, pelo menos, o assentamento de Rendon:— " Rua do Quartel, n..., alugada, em 15 de julho de 1829, ao Sr. Carneiro de Campos, a 12$800 por mês. Recebi três meses, até 15 de outubro. No dia 15 de dezembro, entregou as chaves, estando a me dever 21$330; mandou-me um bilhete de 50$000 para pagar-me, e dar-lhe 28$670 de troco, que mandei pagar pelo Barreto. Tomou as chaves Joaquim José Freire da Silva, etc" .
Como se vê, a casa em que morava um lente da Academia, custava 12$800 mensais, sublinhado este quebrado de 800 réis, o valor do dinheiro naquela época.
Ao velho Arouche ficou devendo a introdução cultura do chá, entre nós,. Plantou-o na sua chácara. Daí veio, mais tarde, o nome de Morro do Chá para a colina que, fronteira à que em que se achava o triângulo central, foi ligada pelo viaduto que lhe tomou o nome: Viaduto do Chá. Chegou mesmo a escrever uma " Monagrafia sobre a Colheita e Cultura do Chá".
A Chácara do marechal ficava "onde tem assento do hospital central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, no quarteirão entre as Ruas Dona Verediana, Marquês de Itu, Cesário Mota e Jaguaribe".
A sede da chácara, esclarece o historiador de outrora, era o velho casarão de 12 janelas de frente, ainda existente na Rua Santa Isabel, n. 3. Primitivamente a chácara Arouche estendia-se da Rua da Alegria (hoje Sebastião Pereira) até ao Beco da Mata- Fome (atual Rua Araújo).
Tempo houve em que o general andou metido em outros negócios e fundou uma fábrica de tecidos de algodão. Pensou também em extrair da semente do chá um óleo que servisse para a iluminação.

Naqueles tempos, morava em São Paulo um lente da Faculdade de Direito chamado Prudêncio Geraldes Taveres da Veiga Cabral. Natural da Província de Mato Grosso, aqui chegara, vindo do Rio de Janeiro, em abril de 1829, nomeado professor catedrático de Direito Civil, um ano, portanto, depois da fundação do Curso Jurídico.
Nesta cidade, residiu na Rua de São Bento, em prédio, que hoje não existe mais, "contíguo ao de propriedade de Sr. Major Domingos Sertório, quase em frente ao da redação do "Comércio de São Paulo". Segundo Almeida Nogueira, "era alto, magro, meio curvo, corpo mal delineado, cara completamente raspada, nariz grande, olhos negros, boca regular e face pálida". Neurastênico e boêmio. Deixou uma crônica da mais pitorescas na velha Paulicéia do seu tempo.
Assevera-nos o autor de " Tradições e Reminiscências da Academia" que o Conselheiro Prudêncio Cabral, não obstante ser dotado de grande inteligência e vasta cultura jurídica, era um mau lente, já pelas suas singuridades algum tanto ridículas, como, sobretudo, pelo pouco caso que ligava aos seus deveres de mestre.
Quando apareceu nesta capital, contava 29 anos de idade e trazia um filho natural, nascido no Rio Grande. Era solteiro e nem pensava em casar-se.
Depois, aqui conheceu, na chácara do Tenente-General Arouche Rendon, a filha deste, D. Maria Benedita, bem mais velha do que ele. Logo forjaram um casamento para os dois. Um casamento muito desigual. A moça não queria: o futuro esposo tinha fama de estroina, senão de maluco, embora lente, e, como tivesse posição social de relevo pareceu à família Arouche bom partido.
O noivado foi mais rápido do que o próprio namoro. Celebraram-se as bodas com as solenidades do estilo: banquete, baile, enxovais... Ele, com 30 e ela com 42 anos, portanto bem madura!
Consorciaram-se naquele 22 de dezembro. Pois bem, no dia 23, logo cedinho, estavam separados! Mas não adiantemos os acontecimentos. Contemos o que de desconcertadamente aconteceu, então. Vão ver quanta complicação. Escutem.
Ao retirarem-se os últimos convivas, a noiva se recolheu à câmara nupcial e ali aguardou em vão a chegada do príncipe encantado. Este, porém, passeou horas inteiras, a noite toda, em frente ao quarto, sem animar-se a entrar. Falava sozinho, como que caindo em si, arrependido do passo que dera:
— "Que fizeste, Cabral*! Que fizeste Cabral*!"
Em seguida, saltando a janela, (o prédio era sobrado) deixou a casa para nunca mais voltar.
No dia seguinte, o escândalo estourou belicosamente como todos os escândalos dessa espécie, numa cidadezinha do tamanho de São Paulo, assanhando os seus vinte e dois mil habitantes. Foi só no que se falou, num comentário sem-par.
D. Maria Benedita retornou chorosa (nem era para menos) à casa do velho general Rendon. Logo tratou de propor contra o ex-frustado marido uma ação de nulidade de casamento, julgada pelos tribunais na parte civil. Submeteu-se a parte religiosa à consideração do Papa Gregório XIV. Os tempos rolaram e o escândalo continuou comentadíssimo, entre risadinhas à socapa.
Pôr fim, corridos todos os tramites, "foi julgado consumado, com separação. A 26 de novembro de 1831", pelo vigário geral do Bispado, Cônego Lourenço Justiniano Ferreira, a requerimento de D. Maria Benedita, conforme certidão passada em santa Ifigênia, pelo Padre Antônio Joaquim da Silva.
Referem, porém, as más línguas — conta-nos Almeida Nogueira — que, vindo a falecer o sogro, (o General Arouche desapareceu em 1834, três anos depois), o Conselheiro Cabral pretendeu entrar na meação de bens. Dizem que a isto se opôs madame ou mademoiselle Cabral, fundada no direito então vigente e na verdade dos fatos; o requerente contestou então as alegações sobre a inexistência da sociedade conjugal, porque, afirmava ele, que sim, que não havia dúvida, que ele tinha sido verdadeiro esposo. Replicava ela que não, muito ao contrário.
Para verificar o caso, ele requereu que se procedesse a exame... Não foi este senão um ardil empregado para obrigar ao acordo. E assim aconteceu. A fim de evitar o vexame, consentiu a esposa platônica do conselheiro em repartir com ele os bens que lhe cabiam.
Não sabemos se isto é verdade — concluiu Almeida Nogueira — ou uma simples anedota inventada. Alguém no-la contestou como incompatível com o caráter brioso, posto que excêntrico, do Conselheiro Cabral. Vai o caso como veio, sem endosso de nossa parte.
Desta forma se focou sem saber qual o seu estado civil. Do conselheiro se pode dizer que não era casado, nem solteiro, nem viúvo... E assim morreu.
Apesar de tudo deixou prole: dois filhos naturais. Um deles, o nascido no Rio Grande, bacharelou-se em 1850: o outro, mais moço, João da Veiga Cabral, muito conhecido e estimado nesta capital. Lutou pela vida, que não lhe foi das mais suaves. A princípio, labutou como tipógrafo nas oficinas do "Ipiranga".. Foi ator, depois oficial da polícia, em seguida, editor e proprietário dos jornais "Gazeta do Povo" e "Jornal da Tarde" e finalmente empregado público...
Quanto à D. Maria Benedita, a filha legítima do tenente-general José Arouche de Toledo Rendon, nascida antes do seu casamento com D. Maria Teresa Rodrigues de Morais, e sua única herdeira-maior, morreu solteirona. Nem era possível tentar novo matrimônio, depois do fracasso do primeiro, tão comentado, tão cheio de incríveis peripécias...
O velho Rendon, falecendo aos 78 anos, deve ter levado para o túmulo profundo desgosto. Já não bastaram as terríveis turras que manteve com o ranzicíssimo Conselheiro Brotero, na direção da Faculdade. Sobrecarregaram-lhe também as preocupações domésticas. As únicas que lhe não lhe deram trabalho foram as sete irmãs, as famosas "Meninas da Casa Verde". As "graciosas donzelas foram perdendo a frescura, amadureceram, murcharam e morreram..." E nunca se casaram. Morreram solteironas.
Resumo biográfico

Vejam um resumo biográfico do Tenente General José Arouche de Toledo Rendon feito pela própria Faculdade de Direito da qual foi o primeiro Diretor:

Nasceu na cidade de São Paulo, aos 14 de março de 1756, filho do mestre-de-campo Agostinho Delgado Arouche e de D. Maria Thereza de Araújo Lara.

Fez o curso de direito civil em Coimbra, onde recebeu o grau de doutor em leis em 14 de julho de 1779. De volta ao Brasil, após ter-se dedicado à advocacia em São Paulo, exerceu os cargos de juiz de medições, de juiz ordinário, de juiz de órfãos e de procurador da Coroa. E os exerceu com proficiência e honradez.

Sentindo-se atraído pela carreira das Armas, assentou praça no Estado-maior do Exército, no posto de capitão. Galgou, nela, todos os postos, pois foi mestre-de-campo, inspetor-geral de milícias, brigadeiro, marechal-de-campo e, por decreto de 18 de outubro de 1829, tenente-general. Da sua inspeção às aldeias de índios, existentes na província, deixou um relatório impresso.

Adepto da causa da independência, foi, em janeiro de 1822, como delegado da Câmara Municipal de São Paulo, enviado ao Rio de Janeiro, em missão junto ao Príncipe Regente, D. Pedro, para solicitar-lhe que desobedecesse aos chamados das Cortes de Lisboa e ficasse no Brasil. Fizeram parte dessa missão, também, o Coronel Gama Lobo e, por parte do Governo Provisório, José Bonifácio de Andrada e Silva.

Por decreto de 20 de maio de 1822, foi nomeado comandante das Armas de São Paulo. Feita a Independência e convocada a Assembléia Constituinte, foi eleito deputado por São Paulo, com José Bonifácio, Antonio Carlos, Paula Souza, Nicolau Vergueiro, José Ricardo de Andrade, Fernandes Pinheiro, Velloso de Oliveira e Diogo Ordenhes, tendo sido este último substituído por José Corrêa Pacheco e Silva. Na Assembléia, tomou parte nas discussões em torno da indicação de Fernandes Pinheiro sobre a criação da Universidade de São Paulo.

Eleito deputado geral para a legislatura de 1826 a 1829, não tomou assento e foi substituído pelo brigadeiro José Vicente da Fonseca.

Por decreto de 13 de outubro de 1827, foi nomeado diretor do Curso Jurídico de São Paulo, que instalou em 1º de março de 1828, nele permanecendo até 1833, quando, atendendo a insistentes pedidos seus, o governo imperial lhe concedeu exoneração, por decreto de 31 de outubro de 1833.

Prestou o tenente-general Arouche Rendon grandes serviços à cidade e à província de São Paulo, e o seu nome condecora a rua, que sai da Praça da República e vai dar no largo, que tem o seu nome, aberta na grande chácara, onde ele residia e que lhe pertencia, no bairro de Vila Buarque.

Faleceu aos 26 de junho de 1834.

Obras Publicadas

Memoria sobre as aldeias de Indios da provinda de São Paulo. Revista do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, v. 4.

Elementos de processo civil, precedidos de instrucções para os juizes municipaes . São Paulo: Typographia do Governo, no Palácio, 1850.

segunda-feira, 1 de março de 2010

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Um milhão de juazeiros a mais até julho de 2011


A Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte iniciou a campanha para distribuir até o mês de julho de 2011, mês do centenário da cidade de Juazeiro do Norte, fundada pelo Padre Cícero, um milhão de mudas da árvore da qual a cidade herdou o nome: Juazeiro. A distribuição já se iniciou e se perpetuará entre os que visitam a terra santa do padre Cícero, até o próximo ano.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A ORIGEM DA FAMÍLIA HOLANDA NO BRASIL


Na página da Família Holanda (genealogias de famílias cearenses) há o seguinte relato sobre esta família:

"Os Holandas provêm do holandês Arnau Florentz, ou Arnau de Holanda, nobre que teve completa adaptação ao Brasil. Era filho de Margaretha Florentz e Hendrick Van Holland, Barão de Rhijnsburg. Consta que Margaretha(*) seja irmã de Adriano Florentz, Papa Adriano VI, o último Pontífice não-italiano até à eleição de João Paulo II. Arnau, natural de Utrecht, Holanda, possuía o título de Barão de Theorobonet. Atendeu ao convite de Duarte Coelho em 1535, trazendo para o Brasil a sua vontade de concorrer para a fundação de uma nova nacionalidade e de transplantar para os trópicos os progressos dos conhecimentos do seu tempo.

Casou-se em Pernambuco com D. Brites Mendes de Vasconcelos, tendo criado uma família que desde os primeiros tempos coloniais mostrou grande interesse em engrandecer a nova pátria, colaborando com os demais que tinham os mesmos interesses e atendendo a todos os reclamos que esta magna empresa exigia dos que a ela se afeiçoavam. Brites, quando jovem, orfã, ainda em Portugal, contava com valioso apoio familia Real. Conforme Antonio José Victoriano BORGES DA FONSECA em seu livro Nobiliarchia Pernambucana, de 1748, numa referência a Brites Mendes de Vasconcelos, diz que a Rainha D. Catarina, mulher de El-Rei D. João III, “a entregara a D. Brites de Albuquerque quando passou à Pernambuco em companhia de seu marido o Donatário Duarte Coelho, recomendando-lhe a sua acomodação, ao que generosamente satisfizera D. Brites de Albuquerque, casando-a com Arnau de Holanda e dando-lhe em dote muitas terras, nas quais fundou Brites Mendes muitos engenhos, que possuem hoje seus descendentes.”

Do matrimônio de Arnau de Holanda com Brites Mendes de Vasconcelos nasceram: Christóvão, Augustinho, Isabel, Ignez, Anna, Maria e Adrianna. O Ceará recebeu muitos membros ativos deste clã, representados pelos bisnetos e trinetos de Arnau, que chegaram às praias de Aracati e Cascavel no decênio inicial do século XVIII. À exemplo de outros parentes e contraparentes, vinham com a idéia de instalar no Ceará engenhos de açúcar, o que não foi possível; mas dirigindo as suas potencialidades para os outros ramos da indústria pastoril e agrícola, firmaram-se nas zonas sertanejas de Quixadá e Quixeramobim, no criatório de gado vacum, e pouco mais tarde na serra de Baturité, introduzindo ali as excelências da cultura elitizante do café. Participaram menos que os antecedentes nas lutas políticas, preferindo a atividade do campo para demonstrar esta adesão ao progresso do Ceará.

(*) - Nota enviada pelo Dr. Heriberto Carvalho Galvão, Juiz de Direito na cidade do Recife, também descendente de Arnau de Holanda por parte da família Linhares, de Sobral, Ceará, observa que o Pastor holandês Dr. Frans Leonard Schalkwijk , em extenso trabalho enviado ao Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco (IAHGP), com pesquisas junto a “Gemeente Archief Utrecht” (GAU), “Rijks Archief Utrecht” (RAU) e outras fontes, concluiu que há possibilidade de Margaretha Florensz (Margarida Florência) ter sido, na realidade, filha de um dos dois únicos irmãos do Papa Adriano VI - Claes ou Jan Dedel Boeyens. Margaretha teria se casado com Hendrick van Rhijnsburg (Henrique de Holanda na grafia holandesa) e teria um filho de nome Arnold Hendricksz (Arnau de Holanda), ou Arnoldo, filho de Henrique. Ainda, segundo esses estudos, Henrique de Holanda teria sido provavelmente um Bailio (magistrado provincial encarregado de defender os bens e direitos dos nobres) de Rhijnsburg e não Barão, como mostra Borges da Fonseca. Sendo assim, Arnau teria sido sobrinho-neto do Papa Adriano VI e não sobrinho deste, conforme aponta a maioria dos genealogistas.
Diz ainda o Dr. Heriberto que parte das pesquisas do Dr. Frans Leonard Schalkwijk foram localizadas nos “Transportenbokjes”, contendo dados sobre transferências, etc., e no “Klapper op de burgers van de stad Utrecht”, contendo referências e nomes dos cidadãos daquela cidade entre l306-l579. “Os documentos consultados encontram-se em ótimo estado de conservação ou restauração” - relatou o próprio Dr. Schalkwijk. Tal pesquisa foi requerida pelo Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. Disse ainda ter aquele estudioso holandês consultado o “Testamentenklapper” (relação de documentos notariais da época) e o “Centraal Bureau voor Genealogie” (CBG), em Haia, bem como em livros sobre a nobreza na Holanda, documentação sobre a família Dedel, sobre o Papa Adriano VI, etc. Acrescenta, ainda, que os DEDEL eram considerados “nobres”, como o próprio nome indica (d´Edel – o nobre), enquanto os BOEYENS-FLORENSZ eram burgueses, cidadãos conhecidos de Utrecht. Os BOEYENS haviam prosperado, enquanto os DEDEL haviam empobrecido".

Frei Jaboatão assim explica a origem da família Holanda que veio para o Brasil:
“1. Arnao de Holanda foi filho de Henrique de Holanda Baravito de Reneoburg, natural de Ultreque, o qual Henrique de Holanda foi casado com Margarida Florença, que era irmã do Papa Adriano VI, e foi casado Arnao de Holanda com Brites Mendes de Vasconcelos, que era filha da Bartolomeu Rodrigues, camareiro-mor do infante D. Luiz, filho del-rei D. Manuel, e casado com Joana de Góes de Vasconcelos". (Pedro Calmon, Introdução e Notas ao Catálogo Genealógico das Principais Famílias, de Frei Jaboatão, vol. I, pág. 64).
Esta família que se origina da Holanda (Arnao nasceu em Ultrecht) já se encontrava no Brasil quando os holandeses invadiram a Bahia e Pernambuco. O Patriarca da família já não existia em 1594 quando o filho, Agostinho de Holanda, então com 38 anos, depôs perante a Inquisição.
É provável que o nome Holanda tenha sido colocado em Portugal, pois era comum irem para a Península Ibérica fugitivos das guerras religiosas que grassavam nos países batavos (que na época eram dominados pela Espanha), e chegando lá mudarem os nomes para escapar de alguma vingança. Estes trânsfugas eram mais fugitivos do que desertores, pois procuravam escapar de perseguições por causa de suas convicções religiosas, levando assim para Portugal e Espanha as melhores credenciais de sua fidelidade à Igreja e à Fé Católica. Chegando no Brasil tiveram os mais sérios motivos, além da Fé Católica, em lutar contra os invasores holandeses no início do século seguinte.
É de ressaltar, no entanto, que não se conhece um Holanda famoso na luta contra os holandeses, como ocorria com os da família Cavalcanti, que eram mais numerosos e bem disseminados pelo Nordeste. No entanto, há dados históricos mais antigos desta família, como um João de Holanda, conde de Huntingon e irmão de Eduardo III, rei da Inglaterra no final do século XIV, conforme cita o historiador Oliveira Martins em sua obra "A Vida de Nun'Álvares" (Lello & Irmão - Editores, pág. 253).
Um nome que se destacou no período colonial foi o de Adriana de Holanda, matriarca da família em Recife, filha de Arnao de Holanda. Casou-se com o oficial alemão Cristóvão Linz, que conquistou as terras de Porto Calvo. O casal se estabeleceu no que hoje é o estado de Alagoas, fundando ali sete engenhos ao longo do litoral até o cabo de Santo Agostinho. Teve vida longa, sabendo-se que em 1640 ainda vivia com 100 anos de idade.
Hoje se destacam poucos remanescentes desta família, notando-se especialmente Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, lexicógrafo, filólogo, gramático, autor de famoso dicionário, nascido na cidade de Passo de Camarajibe (AL), em 1910, e falecido no Rio em 1980; Francisco Buarque de Holanda, filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda, nasceu no Rio em 1944, é compositor de músicas populares; Sérgio Buarque de Holanda, nasceu em São Paulo em 1902, onde veio a falecer em 1982, escritor, sociólogo e historiador, também foi um dos que participou da Semana de Arte Moderna de 1922; Gastão de Holanda, nascido em Recife no ano de 1919, trata-se de ficcionista, crítico, poeta e artista gráfico, publicou alguns contos regionais; Nestor de Holanda Cavalcanti Neto, jornalista e compositor popular, nasceu em Vitória de Santo Antão (PE), no ano de 1921, e faleceu no Rio em 1970.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Conheça a história das aparições de Lourdes


Ao completar 152 daquelas aparições, a 11 de fevereiro, os Arautos do Evangelho estão divulgando o vídeo acima, com sucinto relato sobre os milagres de Lourdes

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Centenário da morte de Joaquim Nabuco

A Academia Brasileira de Letras, presidida pelo Acadêmico Marcos Vinicios Vilaça, e a Associação Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro convidaram para a Missa Comemorativa do Centenário de Morte de Joaquim Nabuco, no dia 17 de janeiro, às 10h30min, na Igreja da Candelária, celebrada pelo cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, com a participação do coral e orquestra Os violinos mágicos de Murillo Loures.

Uma Sessão Especial Comemorativa, da Academia Brasileira de Letras, com a presença do Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim como conferencista, foi realizada no dia seguinte, 18 de janeiro, às 17h30min, no Salão Nobre do Petit Trianon, sendo inaugurado, em seguida, um mural de cerâmica doado por Francisco Brennand, artista pernambucano, em homenagem ao grande líder abolicionista, que ficará permanentemente aberto à visitação pública, na sede da instituição, no Centro do Rio.

Dados históricos da família Costa

Origem remota da família Costa

Este apelido identificou uma família da nobreza medieval portuguesa que poderá derivar de um protonotário apostólico que viveu em Portugal nos princípios do séc. XIII, de origem grega e denominado Nicolau Kosta. Outros autores o dizem de mais remotas origens e o dão por usado no tempo de D. Afonso Henriques, afirmando que deriva da designação da Quinta da
Costa, na comarca de Guimarães, mas nem todos os do apelido têm a mesma origem. O topônimo Costa é bastante vulgar, o que explica a quantidade de pessoas de igual apelido. A mais antiga linha de Costas que se encontra devidamente documentada é a da varonia de Martim Gil Pestana, escudeiro nobre que viveu em Évora na segunda metade do séc. XIV e que se estende até finais do séc. XIII. Assim sendo, a chefia destes Costas, se não a de todos eles, veio a cair na Casa dos Silveiras, Condes da Sortelha.

O ramo dos Costas da cordeal de Alpedrinha, ditos senhores de Pancas D. Jorge da Costa usa as armas que este adaptou com o “corpo” da Empresa daquele purpurado : partido: o primeiro de azul, com uma roda de Sta. Catarina, de ouro, armada de prata, com o segundo de vermelho, com 6 Costas de prata, postas 2, 2 e 2, firmados nos flancos. Timbre: duas Costas de prata, passadas em aspa em atada de vermelho. Mencionam alguns heraldistas, as Costas destas armas não são a representação de ossos, mais sim de um tipo de facas designadas de “Costa”.

Personalidades mais importantes no Brasil

Esta é uma das famílias de que descende D. Raimunda por parte de sua mãe, sendo que por parte de seu pai ela é também um dos Cavalcante e tem também a família Paiva como ancestralidade. Vejamos algumas personalidades de destaque desta família;
Duarte da Costa, foi o segundo Governador Geral do Brasil, aqui chegando no ano de 1553. Veio em sua companhia Fernão Vaz da Costa, seu tio, que em 1591 aparece como vereador da Câmara de Salvador. D. Duarte da Costa era filho de Álvaro da Costa e sua mulher D. Madalena da Silva. O avô de D. Duarte, também Álvaro da Costa, era o Deão da Sé da Guarda, em Portugal. Um outro ancestral de D. Duarte, que também tinha o nome de Álvaro foi camareiro-mor e armeiro-mor do rei Dom Manuel, o Venturoso. Tratava-se, portanto, de uma família nobiliárquica. Duarte da Costa, porém, não fez bom governo e teve que voltar para Portugal com sua família. Ele também era armeiro-mor do rei e irmão colaço de D. João III.
Francisco da Costa, famoso Capitão e guerreiro, foi enviado a Ilhéus para combater os terríveis índios aimorés com um batalhão formado por indígenas da Paraíba. Era proprietário da Ilha dos Frades, no Recôncavo baiano, onde construiu a capela de Nossa Senhora de Loreto em 1645, ainda hoje existente. O famoso Barão de Loreto, Franklin Dórea, mais de dois séculos depois, teve seu Título inspirado nesta capela (por sugestão da Princesa Isabel), que na época lhe pertencia.
Domingos Antunes da Costa, quando tinha 39 anos servira exemplarmente, achando-se “em muitas ocasiões de guerra contra os holandeses”, “...havendo-se com bom procedimento na recuperação das fortalezas do Recife trabalhando dia e noite nas suas trincheiras e plataformas que se fizeram entre muita quantidade de balas de artilharia que o inimigo atirava”. Ganhou sesmaria em Caravelas, na Bahia, no ano 1701. Tornou-se tenente do mestre de campo general no ano de 1703.
Jorge Lopes da Costa, era pessoa influente na cidade do Salvador, onde exerceu funções, como procurador da Câmara, tesoureiro da Misericórdia e procurador da Condessa de Linhares (filha de Mem de Sá). No entanto, foi acusado de ser judaizante pela Inquisição em 1633 e 1645.
Manuel Paes da Costa, nascido e residente na Bahia, era filho de Agostinho Paes da Costa e Catarina da Fonseca, neto do sargento-mor Manuel Rodrigues da Costa, português do Alentejo. Capitão de infantaria em 1679, era também irmão da Santa Casa e ganhou sesmaria de 11,5 léguas no sertão de Itabaiana.
E assim, como as outras famílias que vieram da Europa para o Brasil, os Costa foram se multiplicando e se miscigenando com as outras estirpes. Do século XVI até nossos dias eles se tornaram também uma grande família que prestou inestimáveis serviços à Pátria. Destacam-se entre os membros desta família vários sertanistas, espécies de bandeirantes que desbravaram nosso “hinterland”, alguns dos quais citamos a seguir:
Gonçalo da Costa, português, morava em Cananéia onde se dedicava ao tráfico de escravos e preação de índios. Posteriormente prestou serviços à Espanha, acompanhando o explorador Cabeza de Vaca à região platina, sendo ele quem conduzia a nau capitânia; João Gonçalves da Costa, também português, morava em Cachoeira, Bahia, tendo vasculhado os sertões baianos a procura de riquezas até o ano de 1730; Julião da Costa, natural da Bahia, acompanhou o grande descobridor e sertanista Gabriel Soares de Sousa como capitão de entrada. Exploraram principalmente o sertão do Rio Paraguaçu, início das entradas da Bahia; Lázaro da Costa, chefiou uma bandeira que partiu de São Paulo em 1615 com o objetivo de combater os índios Carijós, alcançando ao final das terras de Santa Catarina; Lourenço da Costa, também bandeirante no século XVIII, natural de São Paulo, descobriu ouro nos morros próximos de São João Del Rei (MG), cujas minas se chamaram São Francisco Xavier. No século anterior um homônimo seu, também bandeirante, acompanhou Nicolau Barreto até o Guairá em 1602; Manuel da Costa, outro bandeirante, natural de São Paulo, em 1663 acompanhou uma bandeira com destino hoje controvertido. Foi companheiro de Fernão Dias Paes; Manuel Veloso da Costa, bandeirante do século XVII, paulista, fez várias incursões nos sertões do Paraná em busca de ouro e prata; Matias João da Costa, sertanista mineiro, explorou em 1707 as terras das margens dos rios Jequitinhonha e Pardo; Miguel Pereira da Costa, sertanista português do século XVIII, era também militar com a patente de mestre-de-campo e foi um dos pioneiros na exploração do Rio de Contas na Bahia, tendo deixado minucioso relatório; Salvador Pereira da Costa, bandeirante paulista do século XVIII, foi um dos primeiros descobridores de ouro em Minas Gerais.
Mas, hoje, a família Costa tem filhos com profissões também muito honrosas como os políticos: Afonso Gonçalves Ferreira da Costa, também filólogo, pernambucano, foi prefeito de Recife, deputado federal em 1897 e 1911, publicou algumas obras de natureza filológica; Artur de Sousa Costa, político gaúcho, foi também presidente do Banco do Brasil de 1931 a 34 e ministro da fazenda até 1954 quando Getúlio morreu; José de Resende Costa, foi preso juntamente com seu pai na Conjuração Mineira, deportado para Cabo Verde durante 10 anos, e quando voltou ao Brasil foi eleito deputado em 1821 e 1823; Artur da Costa e Silva, ex-presidente da república durante o regime militar, nasceu em Taquari(RS), no ano de 1902. e faleceu no Rio em 1969.
Da mesma forma destacam-se alguns militares de prestígio como: Euclides Zenóbio da Costa, comandou a primeira Divisão de Infantaria da FEB e participou das operações na Itália em 1945. Chegou a ser ministro da guerra no governo de Getúlio; Cândido Costa, também magistrado, fazia parte do Conselho Supremo Militar de Justiça quando faleceu em 1909; Dídio Iratim Afonso da Costa, paranaense de Guarapuava, escreveu várias obras de caráter histórico-militar; Valdemar de Figueiredo Costa, carioca, exerceu as funções de magistrado militar chegando a ser Ministro do Supremo Tribunal Militar em 1965.
No campo religioso os Costa também foram destaque, pondo-se em evidência o grande bispo D. Antônio de Macedo Costa, baiano, bispo do Pará, preso juntamente com D. Vital na famosa “Questão Religiosa” do Império. D. Macedo Costa era personagem de destaque também nos meios intelectuais. Merece menção o cardeal português D. Jorge da Costa, uma das principais figuras do clero em sua época (faleceu em 1508), era confessor e conselheiro do rei D. Afonso V. Contrapondo-se ao brilho de figuras tão marcantes tivemos o cismático Carlos Duarte Costa, o chamado “bispo de Maura” que criou a “Igreja Brasileira”.
Temos nesta família também artistas, médicos, poetas etc, como: Cáudio Manuel da Costa, o famoso poeta que participou da conjuração mineira juntamente com Tiradentes; Domingos de Almeida Martins Costa, médico brasileiro tido como o fundador da cardiologia brasileira; Gobert de Araujo Costa, bacteriologista brasileiro de renome; João Batista da Costa, pintor paisagista carioca, tendo estudado em Paris e realizado obra romântica; João Zeferino da Costa, pintor, foi discípulo de Vitor Meireles, sua obra de destaque foi a decoração da Igreja da Candelária, no Rio; Lúcio Costa, famoso arquiteto e urbanista brasileiro; Manuel Inácio da Costa, escultor baiano do século XIX, autor de obras sacras de grande valor e piedade.
Há uma versão que dá alguns membros da família Costa como descendentes de judeus, muitos dos quais eram tidos como “Cristãos Novos”. Um exemplo foi o português Gabriel Acosta, também chamado Uriel da Costa, filósofo português de origem judaica, nascido em 1591. Denunciado, fugiu da Inquisição para a Holanda, onde retornou oficialmente ao judaísmo. Expulso também pelos judeus, suicidou-se em 1647 em Amsterdã.
A cantora Elis Regina Carvalho da Costa pode ser destacada como personalidade atual de renome desta família.