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domingo, 13 de outubro de 2013

Aspecto varonil da feminilidade de Maria Quitéria



Maria Quitéria, heroína da guerra de nossa Independência na Bahia, é apresentada por certa corrente feminista como detentora de masculinidade, haja vista que se vestiu de homem para ingressar nas tropas que lutavam no Recôncavo baiano contra os portugueses. Não é bem assim que a viu Maria Graham quando esteve no Brasil e recebeu a visita da famosa baiana, no Rio de Janeiro. O fato foi registrado pela inglesa em seu famoso diário e ocorreu no dia 29 de agosto de 1823, poucos dias após o fim da guerra de independência na Bahia, ou “Guerra do Recôncavo” como ficou conhecida na época:
Os portugueses, comandados pelo general Madeira, resolveram não reconhecer a independência do Brasil: houve reação local e logo travou-se uma guerra entre as forças portuguesas e os patriotas locais, somente terminada no dia 02 de julho de 1823, quase um ano após o brado de independência dado por Dom Pedro I. Por puro amor à Pátria, Maria Quitéria resolveu ingressar nas nossas tropas fazendo-se passar por homem.
Segue abaixo o relato do encontro entre Maria Quitéria e Maria Graham:

“Recebi hoje a visita de D. Maria de Jesus, jovem que se distinguiu ultimamente na guerra do Recôncavo[1]. Sua vestimenta é a de um soldado de um dos batalhões do Imperador, com a adição de um saiote escocês, que ela me disse ter adotado da pintura de um escocês, como um uniforme militar mais feminino. Que diriam a respeito os Gordons e os Mac Donalds? O traje dos velhos celtas, considerado um atrativo feminino?! – Seu pai é um português, chamado Gonçalves de Almeida[2], e possui uma fazenda no rio do Pex [peixe], na paróquia de S. José, no Sertão, cerca de 40 léguas para o interior de Cachoeira. Sua mãe era também portuguesa; contudo, as feições da jovem, especialmente os olhos e a testa, apresentam os mais acentuados traços dos índios. Seu pai tem outra filha da mesma mulher, depois de cuja morte ele se casou de novo; a nova mulher e as crianças faziam com que a casa não fosse muito confortável para D. Maria de Jesus. A fazenda do Rio do Peixe é principalmente de criação, mas o proprietário raramente sabe ou conta as suas cabeças. O Senhor Gonçalves, além do gado, planta algum algodão, mas como no sertão passa às vezes um ano sem chover, a produção é incerta. Nos anos de chuva ele pode vender quatrocentas arrobas, por 4 a 5 mil réis; nas estações secas dificilmente pode colher acima de sessenta ou setenta arrobas, que podem alcançar de seis a sete mil réis. Sua fazenda emprega vinte e seis escravos.
As mulheres do interior fiam e tecem para sua casa, como também bordam lindamente. As moças aprendem o uso de armas de fogo, tal como seus irmãos, seja para caçar seja para defenderem-se de índios brabos.
D. Maria contou-me diversas particularidades relativas a suas próprias aventuras. Parece que, logo no começo da guerra do Recôncavo, percorreram o país em todas as direções emissários do governo para inscrever voluntários; que um desses chegou um dia à casa de seu pai, na hora do jantar; que seu pai o havia convidado a entrar e que depois da refeição ele começou a falar sobre o objetivo de sua visita. Começou ele a descrever a grandeza e riqueza do Brasil e a felicidade que poderia alcançar com a Independência. Atacou a longa e opressiva tirania de Portugal e a humilhação em submeter-se a ser governado por um país tão pobre e degradado. Ele falou longa e eloqüentemente dos serviços que Dom Pedro prestara ao Brasil, de suas virtudes e nas da Imperatriz, de modo que, afinal, disse a moça: “Senti o coração ardendo em meu peito”. Seu pai, contudo, não partilhava em nada seu entusiasmo. Era velho, e disse que nem poderia juntar-se ao exército, nem tinha um filho para ali enviar; e quanto a dar um escravo para as tropas, que interesse tinha um escravo em bater-se pela independência do Brasil? Ele esperaria com paciência o resultado da guerra e seria um pacífico súdito do vencedor. Dona Maria escapuliu então de casa para a casa de sua irmã, que era casada e morava a pequena distância. Recapitulou o grosso do discurso do visitante e disse que desejaria ser homem para poder juntar-se aos patriotas. “Pelo contrário”, disse a irmã, “se não tivesse marido e filhos, por metade do que você diz, eu me juntaria às tropas do Imperador”. Isto foi bastante. Maria obteve algumas roupas pertencentes ao marido da irmã, e como seu pai estava para ir a Cachoeira a fim de negociar algum algodão, resolveu aproveitar a ocasião e partir atrás dele, bastante perto para ter proteção em caso de acidente na estrada, bastante longe para escapar de ser presa. Afinal, à vista de Cachoeira, parou; e saindo da estrada, vestiu-se à moda masculina e entrou na cidade. Isto foi sexta-feira. No domingo ela arranjou as coisas tão bem que já havia entrado no Regimento de Artilharia e montado guarda. Ela era muito fraca, porém, para esse serviço e transferiu-se para a infantaria, onde está agora. Foi enviada para aqui, creio eu, com despachos, e para ser apresentada ao Imperador que lhe deu o posto de alferes e a ordem do Cruzeiro, cuja condecoração ele próprio impôs em sua túnica.
Ela é iletrada, mas inteligente. Sua compreensão é rápida e sua percepção aguda. Penso que, com educação, ela poderia ser uma pessoa notável. Penso que, com educação, ela poderia ser uma pessoa notável. Não é particularmente masculina na aparência; seus modos são delicados e alegres. Não contraiu nada de rude ou vulgar na vida do campo e creio que nenhuma imputação se consubstanciou contra sua modéstia.  Uma coisa é certa: seu sexo nunca foi sabido até que seu pai requereu a seu oficial comandante que a procurasse.
Não há nada de muito peculiar em suas maneiras á mesa, exceto que ela come farinha com ovos ao almoço e peixe ao jantar, em vez de pão, e fuma charuto após cada refeição, mas é muito sóbria”.

(“Diário de Uma Viagem ao Brasil” – Maria Graham – Cia. Editora Nacional – SP – págs. 329/331)

 Segue abaixo, uma de suas biografias:

Maria Quitéria (1792-1853) foi militar brasileira. Pioneira na luta de reconhecimento da independência. Baiana de nascimento e com grande habilidade no uso da arma de fogo, inscreveu-se como voluntária para lutar contra as províncias que não reconheciam D.Pedro como imperador. A Bahia tinha grande contingente militar português e apresentou resistência às forças do imperador. Para comandar as tropas brasileiras D.Pedro enviou à Bahia o general Pierre Labatut, que organizou as tropas e que obtiveram as primeiras vitórias contra os portugueses. Maria Quitéria teve atuação destacada em lutas importantes. Foi condecorada com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul.
Maria Quitéria de Jesus (1791-1853) nasceu no dia 27 de julho, no sítio do Licorizeiro, no arraial de São José de Itapororocas, hoje Feira de Santana na Bahia. Filha do fazendeiro Gonçalo Alves de Almeida e Quitéria Maria de Jesus, que morreu quando a filha tinha dez anos. Quitéria assumiu a casa e cuidou dos dois irmãos. Seu pai casou pela segunda vez, mas logo ficou viúvo. Casou novamente e teve mais três filhos. Sua nova esposa não apoiava o comportamento independente de Maria Quitéria.
Maria Quitéria não frequentou a escola. Dominava a montaria, caçava e manejava armas de fogo. Deflagradas as lutas de apoio à independência em 1822, o Concelho Interino do Governo da Bahia, defendia o movimento e procurava voluntários para suas tropas. Maria Quitéria, interessada em se alistar, pediu permissão ao seu pai mas seu pedido foi negado. Com o apoio de sua irmã Tereza Maria e seu cunhado José Cordeiro de Medeiros, Quitéria cortou o cabelo, vestiu-se de homem e se alistou com o nome de Medeiros, no Batalhão dos Voluntários do Príncipe, chamado de Batalhão dos Periquitos, por causa dos punhos e da gola verde em seu uniforme.
Depois de duas semanas foi descoberta pelo pai, mas o major José Antônio da Silva Castro não permitiu que ela fosse desligada, pois era reconhecida pela disciplina militar e pela facilidade de manejar armas.
Maria Quitéria seguiu com o Batalhão para vários combates. Participou da defesa da Ilha da Maré, da Pituba, da Barra do Paraguaçu e Itapuã. No dia 2 de julho de 1823 quando o exército entrou na cidade de Salvador, Quitéria foi saudada e homenageada pela população. Tornou-se exemplo de bravura nos campos de batalha e foi promovida a cadete em 1823. Foi condecorada no Rio de Janeiro com a Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul, em uma audiência especial onde recebeu a medalha das mãos do próprio imperador D. Pedro I.
Reformada com o soldo de alferes, voltou para Bahia com uma carta do Imperador dirigida a seu pai, pedindo que ela fosse perdoada pela desobediência. Casou-se com um namorado antigo, o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luisa Maria da Conceição. Viúva, mudou-se para Feira de Santana, para tentar receber parte da herança do pai que havia falecido em 1834. Desistindo do inventário mudou-se com a filha para Salvador, onde morreu quase cega em total anonimato. Seus restos mortais estão sepultados na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento no bairro de Nazaré em Salvador.[3]





[1] Nota do tradutor:Maria Quitéria de Jesus. Trata-se do mais importante depoimento pessoal acerca da famosa heroína baiana. Quase todos os estudos sobre este vulto são “vasados sobre o escrito da ilustra inglesa” (Maria Graham), diz o seu biógrafo. Cf. Fernando Alves, “Biografia de Maria Quitéria de Jesus”, Salvador, 1952.
[2] Nota do tradutor: Gonçalo Alves de Almeida. Era brasileiro, conforme declara em seu testamento, e não português. Op. Cit. Pg. 66

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Novas cédulas refletem ainda mística religiosa da república

Mística religiosa? Sim, que expressão difícil de entender, não é? Mas é a pura verdade. A república tem uma mística religiosa e vem de longe...
A idéia desta mística religiosa começou a ser concretizada, pelo menos em parte, pelos revolucionários de 1789, especialmente por Robespierre e Chaumette: no dia 10 de novembro de 1793, a deusa razão foi proclamada pela Convenção Francesa (órgão máximo da Revolução e que implantou a república na França). Como havia necessidade desta deusa ser personificada (alguém tinha que mostrar-se como tal), procuraram a mulher de um tipógrafo, Sophie Momoro (para alguns, esposa, para outros uma simples prostituta) para assumir o papel e se postar no altar para ser adorada. Colocaram-na, pois, no altar-mor da catedral de Notre Dame e fizeram ali mesmo uma “cerimônia” religiosa de adoração da nova deusa. Assim foi fundada uma nova "religião".
Pretendiam os revolucionários, com a simples divulgação da imagem daquela mulher, espalhar a nova religião e fazê-la substituir ao cristianismo em toda a terra. Hoje nada resta daquele “culto” a não ser uma certa mística oculta, praticada por uma minoria insignificante, e em poucos países.
A existência desta mística religiosa é comprovada pela teimosia das autoridades republicanas em estampar a figura daquela mulher nas nossas cédulas. Outra não seria a razão, pois aquela figura nunca foi aceita como um dos símbolos de nossa república.
Antigamente, nossas cédulas homenageavam figuras históricas de nosso país, como Dom Pedro I, Princesa Isabel, Duque de Caxias, etc. Depois, foram feitas homenagens a figuras também republicanas, como Getúlio Vargas e Juscelino. Hoje, porém, a única figura homenageada é a da deusa razão, é a figura da suposta prostituta Sophie Momoro e mais ninguém.
Qual a razão desta figura aparecer em aparente homenagem em nosso dinheiro, sem que o povo sequer saiba o que ela significa? Só há uma razão: a mística religiosa numa minoria de fanáticos republicanos que pensam, talvez, em fazer revigorar o culto da deusa razão. Sem nenhum pleonasmo, não há outra razão.
Esperava que nos novos modelos de cédulas que passaram a circular fosse tirada a ridícula figura daquela mulher, que nada representa ali para o nosso povo. Ledo engano: ela continua lá.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Autoridades promovem veladamente a prostituição e facilitam pedofilia

Duas notícias mostram o quanto nossa sociedade está decadente moralmente: numa delas, o STJ reconhece o direito de um casal de lésbicas adotar uma criança, abrindo um precedente perigoso para a propagação da pedofilia na sociedade. Segundo pesquisas sérias realizadas a respeito do tema, a grande maioria dos casos de molestamento de crianças se dá dentro de casa, no próprio lar, prática comum na maioria dos pais e padrastos de crianças. Da mesma forma, entre madrastas e entiados. Desta forma, conceder a homossexuais, sejam gays ou lésbicas, o direito de adotar crianças é o mesmo que colocar as crianças em risco de serem mais molestadas sexualmente do que o são agora. Por aí se vê quanta hipocrisia há em certas autoridades judiciais quando dizem estar combatendo a pederastia infantil ou pedofilia.
A outra notícia é proveniente do poder executivo, especialmente do Minstério da Saúde: após a recomendação do Ministro da Saúde José Gomes Temporão de que as pessoas façam sexo seguro para combater doenças, afirmou que governo estuda criar convênio entre SUS e casas de massagem."Casas de massagem" é o eufemismo com que se denominam as modernas casas de prostituição, antigamente chamadas "casas de tolerância". O ministro disse: "Não é brincadeira, é sério, fazer atividade física regular significa também fazer sexo, com proteção sempre, claro". A ideia é enquadrar a atividade como terapia complementar e possibilitar que os pacientes, quando encaminhados pelos médicos, possam desfrutar dos serviços terapêuticos do sexo sem custos adicionais. A ideia é estender o convênio também para os planos de saúde para que podem incluir o serviço adicional em novos planos ou trabalhar sob a forma de reembolso. As principais seguradoras já estudam dar descontos de acordo com o desempenho do paciente. "Quanto menos tempo levar a terapia, menor será o gasto.", afirma o presidente da Federação das Organizações De Assistência Médica e Serviços Emergenciais.
Tantas são as medidas imorais desse ministro que seu minisério poderá muito ser chamado de "Ministro da Promiscuidade Sexual", pois o tempo e o dinheiro que ele gasta com propagação disso é muito mais do que com campanhas de vacinação e outras mais úteis à sociedade.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os motivos ocultos da propalada pandemia de gripe suína

Agora começa a clarear quais os verdadeiros objetivos da mídia ter feito tanto clamor sobre o recente surto de clima suína. Vejam no vídeo abaixo o que estaria por trás de tudo isso.
No primeiro vídeo, uma tentativa de explicação do uso financeiro das indúsitrias farmacèuticas, especialmente para a venda de vacinas. No segundo, a ex-ministra da saúde da Finlândia, Dra. Rauni Kilde, fez uma denúncia muito grave. Já se viu muitas vacinas serem denunciadas como instrumento de esterilização de populações. Esta trama é antiga, já houve sérias denúncias comprovadas contra o governo indiano que imunizou milhões com vacinas. No Brasil, recentemente, denunciou-se que a inútil vacina contra a rubéola tinha caráter também esterilizador. Nada se apurou e, talvez, só daqui a muitos anos poderá se mensurar até que ponto essa esterilização afetou a população brasileira. O curioso é que este tipo de imuização esterilizadora só tem sido tentada em países em desenvolvimento ou do chamado "terceiro mundo", cuja população é a única a crescer no mundo. Agora vem a vacina contra a "gripe suína", que a Dra.Rauni Kilde, ex-ministra da saúde da Finlândia, teve a coragem de denunciar como mais uma tentativa de esterilizar a população, desta vez aos billhões.


sábado, 23 de janeiro de 2010

Vejam o blog de designer da Liliana

Liliana Marinho, esposa de nosso caro Daniel (vejam ela acima, com mamãe, o esposo e a filha), informa lá de Portugal que tem seu blog, da área de designer. Para acessar o blog dela é só clicar aqui em LCD DESIGN. Vejam seu recado:

Matosinhos, Portugal
LCD.design nasce pela minha paixão nas artes gráficas. Ao longo do tempo fui aprimorando técnicas em formações na área de designer gráfico.
LCD.design está sempre a procura de satisfazer seus clientes, tendo em conta a importância do dialogo entre o cliente final e o designer.
O blog tem como objectivo partilhar os trabalhos gráficos da Liliana Marinho.
Sendo do meu interesse uma criação diferenciada, materiais de qualidade com impressão digital e uma entrega em curto tempo.
Para mais informações e orçamentos:
lcd.design@yahoo.com

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O neto e o Neto


Assim diria o "Conselheiro Acácio": As gerações vão se passando e o que vai ficando são os filhos e os netos. Quer dizer: os pais e avós passam, mas os filhos e os netos ficam. Talvez com esta ousada pretensão de sempre ficar, surgiu um neto que quis permanecer Neto, pelo menos no nome. João existem muitos por aí, inclusive alguns que "soe dissant" (como se fala num francês macarrônico) "João ninguém", mas um João Neto só se conhece um (pelo menos entre nós), e, acima de tudo, com Batista pelo meio. Pois bem, João Batista Neto é o nome dele (como foi que descobriram?), cujos sobrenomes pomposos de famílias centenares foram omitidos talvez para quebrar um pouco seu orgulho genealógico. Mas, Batista não basta? Sim, porque os Batista são também tradicionais e, Cavalcante pela raiz, segundo outros. Mas ser tradicional basta? Não, porque nada basta em quem não se contenta com o mínimo trazido ao nascer, que é o nome. O que basta mesmo é a formação, que, aliás, nunca acaba, vai até os últimos dias de vida. O Netinho está aí, com seu neto e seu "pomposo" nariz, a mostrar o caminho certo a muita gente. Esperamos sua vinda para o aniversário de D. Raimunda, próximo 4 de julho, que será também o dia da independêndia dos EUA.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Qual a realidade que as novelas da Globo demonstram?

Diz-se amiúde (e nisto são exímios os propagandistas das novelas) que certas novelas nada mais fazem do que retratar certas "realidades". O mesmo diz-se de certos filmes. Você já não ouviu alguma propaganda de filme (e de novela) dizer assim: baseado em fatos reais? Os fatos reais, a realidade, torna-se assim um bom propagandista de filmes e novelas. Ocorre que existem diversos tipos de realidades. Na sociedade existem pessoas honestas (e estas são maioria) e ladrões: qual a realidade que merece mais ser retratada, a dos honestos ou a dos ladrões? Ocorre que mostrar gente honesta, mostrar a prática de virtudes ou de qualquer bondade humana, não gera audiência para filmes e novelas. Então eles mostram o lado mau da sociedade não é porque aquilo é "real" mas porque gera dividendos. Vejamos o exemplo da realidade de um país chamado Índia: será que a temática explorada pela TV Globo é a única realidade existente naquele país? É bem certo que o tema da miséria é visto com exagero por certos grupos de esquerda, que aumentam tudo que diz respeito à miséria e pobreza para mais facilmente pregar a luta de classes. A visão, porém, dos novelistas e diretores de filmes, apesar de haver caído da moda explorar a luta de classes, procura inculcar na opinião pública de seus assistentes uma doutrina mística de uma religião cheia de superstições, uma religiosidade mentirosa e açucarada. Parece-me que esta novela sobre a Índia é cheia destes exageros e mentiras, ao lado, é claro, de um amontoado de músicas horrorosas e de conteúdo monótono e triste como o são todas as músicas pagãs.
A propósito, recomendo ver o vídeo abaixo "A Índia da TV e a Índia real". Apesar de, no final, mostrar um certo ranço protestante nas mensagens bíblicas mal feitas e mal colocadas, de modo geral o vídeo diz a verdade.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Obama, um inventor de si mesmo

Quase nada se disse, pelo menos na grande mídia brasileira, sobre a verdadeira face mistificadora do novo presidente americano. Eleito pelas forças ocultas e pela mídia como o "messias", o "redentor" do povo americano, na realidade estamos diante da monstruosa face de um inimigo da vida, um propugnador da imoralidade e do amor-livre, do aborto e de tantos outros desvios morais da modernidade. Deu início à sua investida contra a vida humana autorizando as experiências com embriões humanos, uma bomba que vai matar muito mais gente (antes mesmo de nascer) do que qualquer guerra no Oriente deflagrada por Bush.
Vejamos uma tímida levantada deste véu que encobre a verdadeira face de Obama ainda no ano passado, 8 de junho, pelo jornal "O Estado de São Paulo" ao publicar artigo do jornalista Pedro Doria. Precisamos saber mais sobre a face oculta deste homem:

"Seus pais e avós fugiram de qualquer identidade cultural. Então o candidato democrata teve de criar a sua própria
Em março, quando os primeiros sermões raivosos do homem que foi seu pastor por tantos anos começaram a aparecer na televisão, Barack Obama se pôs perante as câmeras para fazer aquele que é hoje considerado o discurso mais importante desta campanha. O discurso sobre raça foi proferido com veemência e elegância durante quase 40 minutos. Obama é o candidato dos discursos, das palavras bem colocadas, entonação perfeita e carisma ímpar. Conseguiu transformar um discurso político de 40 minutos no campeão de audiência do YouTube por uma semana.Para alguns analistas, aí está a marca do demagogo: palavras bonitas que conquistam o eleitorado pelo coração. Mas quem presta atenção nas palavras percebe que o estilo não é o de falar aquilo que o público quer ouvir. “Quando brancos sabem que um afro-americano conseguiu uma vaga na universidade por causa de uma injustiça cometida em gerações passadas, quando brancos são acusados de racismo por conta de seus medos concretos da criminalidade urbana, é natural que surja ressentimento”, disse a seus eleitores negros naquele discurso. Para falar das feridas criadas pela questão racial nos EUA, não desculpou ninguém. Esse tipo de desafio a quem o ouve é comum em Obama.Para um grupo de exilados cubanos em Miami, no último dia 23, Obama relatou que planejava reativar os canais de diplomacia com o governo de Raúl Castro, cogitando até o fim do embargo em troca da liberação de prisioneiros políticos. “Sei que não é o que vocês querem ouvir.” A um grupo de plantadores de milho no interior de seu Estado, disse que como senador poderia até lutar pelo subsídio que os protege, mas isso não adiantaria por muito tempo. “O problema é que o etanol brasileiro é muito mais barato que o nosso”, explicou. “Vocês terão que encontrar opções mais eficientes.”No mundo que Barack Obama vê e descreve há desafios para todos. Essa sua visão nasce de sua história pessoal - uma história que começa com fugas.Seu avô paterno foi criado no interior do Quênia durante o Império Britânico. Viveu entre a estrutura tribal de sua pequena comunidade e o desejo de ser ocidental, descreve Obama em seu primeiro livro, A Origem dos meus Sonhos. Abandonou as roupas coloridas da tradição e vestiu a dos europeus. Serviu como cozinheiro em um navio da Marinha britânica durante a 2ª Guerra. Seu filho Barack Hussein Obama Sr, pai do candidato, foi mais longe: descobriu-se ateu, abandonou o islamismo de seu clã e mudou-se para o Havaí, onde conheceu uma moça branca com quem casou. Formou-se em economia por Harvard. Divorciou-se. De volta a seu país, serviu na alta hierarquia do governo sem jamais conseguir modernizar a estrutura social do Quênia como queria. Alcoólatra, sofreu de problemas de circulação que lhe custaram uma das pernas antes de sua morte prematura, em 1982, aos 46 anos.Também o avô materno de Obama buscava algum tipo de transformação íntima. Natural do Kansas, seguiu o sonho americano de uma nova vida em direção ao Oeste. Veterano da 2ª Guerra, pingou de emprego em emprego com mulher e filha, primeiro no Texas, depois Califórnia, Estado de Washington e, finalmente, Havaí. Sua filha, Ann Dunham, manteve essa busca por uma reinvenção pessoal. O primeiro marido foi um queniano, pai de Obama, que a abandonou. O segundo era da Indonésia, para onde Ann se mudou com o filho Barack muito menino. Separada novamente, Ann morreu de câncer, aos 52 anos.Criança, Obama viveu com a mãe na Indonésia, estudando numa escola internacional católica, depois numa islâmica. Ann não ligava para religião. Mas aí, com 13 anos, Obama quis estabilidade: adolescente, foi morar com os avós no Havaí. Para os colegas americanos, era, como se descreveria anos depois, “um menino magrelo com o nome engraçado”. Em seu livro, descreveu um envolvimento autodestrutivo com drogas - maconha, depois cocaína. À imprensa, os amigos do tempo disseram que Obama fumou, cheirou, mas não foi nada sério. Bom aluno, ganhou uma bolsa para a Universidade Colúmbia, em Nova York, onde estudou ciência política e relações internacionais. E, quando foi procurar emprego, escolheu um de assistente social em Chicago, no lado sul da cidade, conhecido pela influente comunidade negra.Aos 22 anos, Barack Hussein Obama sentia-se um fruto de famílias em fuga que rejeitavam o passado. A seus olhos, nem os pais nem os avós foram felizes. E lá estava ele, um rapaz negro criado por brancos, chegando a um lugar novo. De volta ao Meio Oeste que seu avô abandonara, ele buscaria uma raiz, uma tradição. E duas pessoas o apresentaram a ela.O primeiro foi Jeremiah Wright, pastor da Trinity United Church of Christ. Wright o ensinou sobre ser negro nos EUA, ofereceu uma base religiosa, apresentou Obama à comunidade e o influenciou na maneira de falar em público. A segunda pessoa foi sua mulher, Michelle. Com ela e os sogros, ele conheceu a vida de uma típica família estável da classe média negra. Já era este seu mundo quando se formou em direito, em 91, pela Universidade Harvard, considerada a melhor do mundo.Quando, anos mais tarde, condenou a Guerra do Iraque, ele argumentaria com base nas conclusões que tirou da vida. Seus pais tentaram se reinventar abandonando as tradições e, no processo, perderam a própria identidade. A tradição é o que dá liga à sociedade. Perante a mudança, a tradição sempre resiste. Mudança, na história, vem a passos lentos. Para ele, há ingenuidade no ideal do sonho americano de que idéias, por si, causam grandes mudanças. Idéias não bastam. Barack Obama, como o descreveu Larissa MacFarquhar num perfil para a revista The New Yorker, “é profundamente conservador”. Democracia não seria simplesmente imposta num país onde ela jamais existira.Obama é conservador na maneira de ver o mundo e a sociedade, mas um político que segue fielmente a tradição social da esquerda americana. Eleito em 1996 para o Senado Estadual de Illinois, propôs 233 leis sobre saúde pública (incluindo a tentativa de implantar um sistema universal, que foi rejeitado), 125 dedicando recursos para assistência social e 112 tratando de criminalidade, como programas de reintegração à sociedade, o alívio de penas para certos crimes e maior controle na venda de armas. Nas 823 leis que apresentou, mais da metade se inclui nesses três grupos.No Senado dos EUA, onde atua desde 2005, se mostrou protecionista - vem de um Estado agrícola - e favorável a facilitar a vida dos imigrantes, mesmo os ilegais. É a favor do aborto, mas não rejeita de todo a pena de morte, que considera justa para os casos mais brutais, que choquem a sociedade. Votou a favor de planos de educação sexual e distribuição de contraceptivos para adolescentes, quer um projeto agressivo para cortar a emissão de carbono e deseja retirar as forças americanas do Iraque para investir na luta contra a Al-Qaeda no Afeganistão e Paquistão.A campanha presidencial apenas começou. Não foi sem dor que ele renegou seu pastor, quase uma figura paterna, há um mês. Seu adversário republicano, John McCain, o atacará em sua disposição de negociar com ditadores, explorará sua pouca experiência em política exterior e tentará mostrar que, hábil com as palavras, Obama seduz sem substância. Também deve apresentá-lo como um radical da política negra. A proximidade com o pastor Wright torna a insinuação crível. A amizade com o casal Bernardine Dohrn e William Ayers, terroristas de esquerda nos anos 60, reforça a tese. Não bastasse, ainda há o fantasma de Tony Rezko, um de seus primeiros financiadores políticos, condenado em maio por corrupção.A campanha presidencial de Obama é conduzida por um ex-repórter da editoria de política do jornal The Chicago Tribune, David Axelrod. Ele pretende driblar a discussão contando e recontando a história pessoal do candidato. Ao New York Times, explicou que “a história de Barack é a personificação de sua mensagem para o país, a de que com tenacidade podemos vencer as barreiras que nos dividem”. A candidatura, segundo Axelrod, é essencialmente uma aposta de que, mesmo lentamente, a história caminha para a frente e os EUA são, sim, capazes de eleger um presidente negro.É só com sutileza que Obama trará a questão racial para a campanha. Tão logo ficou claro que seria o candidato, McCain o convidou para uma série de debates informais, ao vivo, perante grupos de eleitores em todo o país, como haviam combinado de fazer, em 1963, John Kennedy e Barry Goldwater. Obama disse que gostou da idéia, mas sugeriu que seguissem o modelo estabelecido, antes da Guerra Civil, por Abraham Lincoln e Stephen Douglas. Na verdade, são modelos iguais. Mas Lincoln foi o libertador dos escravos nos EUA. E um político de Illinois. Obama sublinha a idéia de ser sucessor natural do velho presidente.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O filho que eu quero ter

Paulinho da Viola gravou esta canção na década de 80, no disco "Arca de Noé n. 2", onde fala sobre o desejo de ter um filho. Esta canção deveria agora ser repetida, regravada e divulgada, neste momento em que se fala tanto contra a natalidade e os bebês