quarta-feira, 2 de abril de 2008

Dogma da Imaculada Conceição

Dogma da Imaculada Conceição

Era a grande devoção do Sr. Batista, a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Clicando nos dois vídeos acima você vai ver como foi proclamado este dogma por Pio IX em 1854.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Origem dos Paiva


PAIVA - A exemplo dos Cavalcanti, entre os Paiva não houve um patriarca único que trouxe esta estirpe para o Brasil. Vieram todos de Portugal, onde pertenciam a diversos ramos da mesma família. Aqui se disseminaram e se miscigenaram como os demais.
Antônio Guedes de Paiva, bravo guerreiro que lutou contra os holandeses, tendo chegado a conquistar a patente de coronel, pertencia à companhia comandada por Bernardo Vieira Ravasco e um de seus feitos registrados foi ir “em duas canoas de pescadores de noite, com risco da própria vida e por uma notável tempestade que naquela noite sobreveio ao encontro de quatro naus holandesas fundeadas na barra do Paraguaçu... Passou perto das mesmas naus a recolher pelo mesmo rio a sua companhia que nele estava com o seu Terço para defesa daqueles engenhos...” Não há registro sobre sua família e descendência. Alguns Paiva se destacam hoje, mas a família não é numerosa. Há um município Paiva em Minas Gerais, com pouco mais de 1.400 habitantes. Algumas personalidades se destacam como Ataulfo Nápoles de Paiva, magistrado gaúcho, Francisco Álvaro Bueno de Paiva, político mineiro falecido em 1928, Galva Paiva e Marcelo Rubens Paiva, escritores, etc, mas todos de pouca expressão no cenário nacional

Nossas origens


Filho de importantes estirpes nacionais


O Sr. Francisco Batista Cavalcante era oriundo de algumas estirpes importantes que formaram a Nação. Sua família foi uma daquelas empobrecidas no decorrer do tempo e embrenhadas na caatinga do sertão nordestino, mas carregando ainda muitos dos traços e características de seus ancestrais. Seu avô paterno era da família Holanda Cavalcante, chamava-se João Batista de Holanda Cavalcante. O Sr. Batista se engana no nome do avô, designando-o como João Batista Alexandre Cavalcante, quando ele mesmo diz que da família Alexandre era sua avó, enquanto seu avô era da família Holanda. Sua avó materna era casada com um rapaz da família Barros, e como seu nome era Isabel provavelmente passou a se chamar Maria Isabel de Barros (Alexandre era o nome de solteira) : segundo ele mesmo afirma ela se chamava “Maria de Barros”.
Quando o Sr. Batista casou-se, sua esposa já trazia o nome da família Cavalcante: D. Raimunda Josino Cavalcante era filha de Francisco Cavalcante de Paiva e de D. Bárbara Josino da Costa. (D. Bárbara fazia um segundo casamento com o Sr. Francisco). Os Cavalcante que aí se casavam (Sr. Batista e D. Raimunda) não tinham, no entanto, nenhum parentesco, nem sequer distante. O mesmo ocorreu com o filho do casal, Jurandir Josino Cavalcante, que casou-se com D. Lúcia Cavalcante, filha de um Cavalcante cearense, mas não tinham qualquer parentesco, mesmo longínquo.

UM COMERCIANTE EM APUROS (XIV)

O Evangelista

Um dia fui me confessar
Era no fim de semana
Vi um cálice na igreja
Perguntei: aí tem cana?
[1]

Nessa fase do meu comércio eu era visto como um bom samaritano, motivo pelo qual boa parte dos vizinhos me convidava para ser padrinho de seus filhos. Portanto o personagem em destaque entrava nesse rol, éramos compadres.
Construtor civil, gostava muito de “morder a batata” e, um detalhe, quando estava sóbrio conversava muita asneira. Mas... embriagado? Ah, era intolerável e metido a valentão.
Aconteceu num sábado, estava de folga e cheio da nota. Apareceu à noitinha e ficou bebendo, dentro do seu habitual.
Comerciante já por profissão, sentia a necessidade e obrigação de atender bem todo tipo que aparecesse, e nesse caso a obrigação se acentuava por se tratar de pessoa de minha relação familiar.
Noite alta, entra um desconhecido, moreno, alto, também com aparência de embriaguez, porém muito calmo. Pediu uma bebida, tomou, pagou e foi saindo sem dar atenção ao meu compadre. O Evangelista acompanhou-o e, após ligeira discussão, na qual agredia com palavras o outro, aplicou-lhe violento soco e fê-lo cair sentado, sem oferecer resistência. Assim mesmo, não satisfeito, fez nova investida. Mas, o bom samaritano era bom samaritano mesmo, cruzei o meu estabelecimento e tomei a frente e defesa do mais fraco. Inconformado, o meu "bom" Evangelista disse: “Você em vez de tá comigo, tá contra mim?”
“Não, respondi-lhe, não estou contra ninguém, é que o moço está indefeso e você não bate mais nele!”
Tomei o rapaz pelos braços e pedi que fosse embora.
O compadre, cabisbaixo, voltou-se em direção de sua casa, insatisfeito com o desfecho do caso.
Era sempre assim, cada briga que havia eu tinha sempre que intervir, expondo-me ao perigo, mas contava com a proteção de minha Boa Mãe que me fazia vitorioso nessas horas.

[1] - poesia de cordel.

sexta-feira, 28 de março de 2008

NOSSOS CASAMENTOS


Modelo de fidelidade conjugal
Nossos casamentos se sucederam, como se pode constatar nas fotos expostas nos slides e nesta ao lado do nosso irmão mais velho, o Netinho. Mas uma coisa podemos afirmar com certeza absoluta: sempre tivemos um modelo de fidelidade conjugal a nos espelhar que foram nossos pais, Sr. Batista e D. Raimunda. Ele faleceu aos 83 anos de idade, apenas 3 dias depois de comemorar 59 anos de um casamento fidedigno, fiel, sempre um lado ao do outro, na doença ou na bonança, nas horas tristes ou nas alegres. Mas isto não teria sido possível se não tivessem sido fiéis à graça sacramental do matrimônio, que nos ampara e nos impede de cometer às vezes fraquezas ou entregar-se ao prazer momentâneo.

Tradição poética que vem da Idade Média

Guido Cavalcanti (1259 - 1300)
Conforme consignamos na seção em que contamos a origem da família Cavalcanti, Guido Cavalcanti foi um poeta italiano nascido em Florença, contemporâneo de Dante Alighieri e um dos fundadores do "il dolce stil nuovo", escola poética refinada e sutil, caracterizada pela espiritualização do amor. Seu pai, partidário do partido dos guelfos, exilou-se em Lucca após a vitória gibelina (1260) e quando voltou à Florença casou o filho poeta com a filha de um chefe gibelino. Após estudar com o filósofo e professor Brunetto Latini, participou da vida política florentina, fazendo parte do Consiglio del Comune (1284-1290) e lutou pelos "brancos", partido burguês aliado à família Cerchi contra o barão Corso Donati. Preso e exilado, faleceu em Florença, em conseqüência de malária adquirida no exílio. Deixou cerca de cinqüenta poemas e sonetos de amor, vários deles dedicados a duas mulheres: Mandetta, a quem conheceu em Toulouse (1292), e Giovanna, a quem ele chamava Primavera. Com um estilo leve e musical, também compôs várias baladas e canções, entre elas "Perch'io non spero di tornar giamai" (Porque eu não espero voltar jamais), composta no exílio. Sua obra é considerada um marco decisivo da literatura italiana do século XIII.
Foram estes poemas amorosos que antecederam à literatura da cavalaria romântica, dando início assim à decadência moral do Renascimento cultural na Europa.

A última notícia antes de cair doente

Como vimos na postagem anterior, o jornal publica uma reportagem sobre os idosos, cuja festa seria comemorada no dia 27 de setembro, dia de São Vicente de Paulo. Eis a foto que o mesmo jornal publica. Seria a última notícia do Sr. Batista vivo. No seu leito de dor dizia: "Como estava eu enganado a respeito de minha saúde. Hoje me arrependo de querer parecer jovem aos olhos dos outros, vendo em que situação me encontro, assim desta forma tão doente..." Embora arrependido, Deus o quis perto dEle e o levou no dia 21 de janeiro do ano seguinte.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Reportagem do jornal "O Povo"

"Eu tenho 83 anos e não me sinto velho. Sou muito jovem", brada Francisco Batista, enumerando suas travessuras como subir na fruteira enquanto a garotada joga videogame. Nesse caso, não é mera frase de efeito dizer que a juventude é um estado de espírito. É fato de vera. Há três anos integrado ao projeto do Sesc, que reune as mais diversas atividades abertas ao idoso..., "Seu" Batista não faz o tipo marcado pelo tempo. Já participou do coral e grupos de poesia e, hoje, é um promissor ator do curso de teatro. "Eu quero mais é unir o útil ao agradável: fazer amizade e arte", confessa".

Homenagem póstuma de um filho (II)

II – O Poetinha
Por: Jurandir Josino Cavalcante

"O papai nunca foi homem que gostasse da arte pela arte, pois, sendo simples e nascido no meio rude do campo, o seu único ofício se resumia em saber tratar a terra, cultivá-la, colher os seus frutos e vendê-los ou trocá-los na feira, que poderíamos acrescentar, com arte. Mas havia, sim, uma paixão por uma atividade artística muito popular em sua época de moço, pela literatura de cordel, dos cantadores de viola. Pois era dos poucos passatempos daqueles sertões brutos, onde a comunicação era escassa com o mundo civilizado. Leu muito, e tanto cantou, que fixou na memória centenas de poesias daqueles versejadores de antanho. No entanto não conheceu o teatro, tampouco o cinema, que só muitos anos depois vão povoar a sua mente.
Veio a seca, as dificuldades. Precisou de alargar o seu mundo, pois com a família ficando numerosa, o espaço não dava para abrigar os seus projetos, os seus sonhos. Não foi homem de pensar alto, como seus cunhados Assis e João, que foram bater pernas para as bandas do Sul. Pegou montaria e se retirou para Fortaleza, onde escreveu o mais longo capítulo de sua vida. Aqui os conhecimentos foram se alargando, mas aquela experiência haurida negociando nas feiras deram-lhe as ferramentas para a construção do novo mundo, onde, quando as forças já pareciam declinar, nasceu a fonte da inspiração e o desejo de fazer arte. Não sei bem se essa arte nasceu de uma necessidade, de um certo vazio que a velhice foi pondo no indivíduo, de uma solidão, de um buscar-se a si mesmo, no que passou, no que fez, e mesmo naquilo que gostaria de ter realizado. A necessidade – diz um escritor antigo – é a mãe das artes
[1]. Assim, parece que transformou a própria velhice participando ora de um pastoril, ora de um coral, coisas que nunca pensara fosse capaz de fazer.
Cantava, sim, mas a sua voz era muito desafinada (que me perdoe o meu bom pai lá do céu), e um dia, o novo maestro querendo melhorar a afinação do conjunto, eliminou-o do coral. Resultado: foram longos dias de depressão, queixando-se a um e outro filho e aos amigos. O maestro não se agradara de sua voz, não gostava dele, o maestro isso, o maestro aquilo. Um dos filhos, por fim, decidiu falar com o dirigente musical, que o acolheu novamente.
O teatro não passou de umas poucas participações suas num pastoril, no papel de Rei Mago. Mas encheu-o de alegria a filmagem que um filho fez de uma dessas apresentações.
O padre Antonio Vieira, num de seus famosos sermões, diz que o homem sendo formado de duas entidades, o corpo e a alma, tem necessidade de que uma delas comande todas as nossas atividades. E como fomos criados para dar glórias a Deus, isto só é possível se o comando estiver com a alma. Mas qual é a percentagem de domínio que esta tem que ter sobre o geral de nossas ações, para que a vontade divina seja atendida? É indagação bem difícil de responder, se levarmos em conta o homem comum, que vê na prática religiosa apenas um costume, um hábito de família. Não é o caso de papai, pois parece que convivia mais com o espiritual que com o material, fazendo dos preceitos religiosos a sua regra de vida.
Quando moço, soube conduzir a educação da família dentro do grêmio da Igreja, e, velho, colaborou, ele mesmo, com os trabalhos apostólicos.
Entrou para a confraria dos Vicentinos, onde não teve a mínima dificuldade de se adaptar. O seu espírito caritativo, a sua honestidade, o seu desprendimento, a sua lealdade, a sua vontade de servir ao próximo, sem interesses, sem vantagens pessoais, renunciando às comodidades de seu lar, fizeram-no um líder nato daquela pequena e humilde comunidade de religiosos.
O bairro todo o conhecia, principalmente os mais carentes. Todo mês distribuía alimentos e um pouco de dinheiro para os seus “assistidos”. Mas não ficava só nisto o seu sacerdócio. Era chamado quando um que estava doente piorava, ou quando morria. Diante do moribundo agia com tanta unção que mais semelhava o ministro da Igreja, confortando a viúva e órfãos naquele derradeiro instante. Fazia-o sozinho, porque a força que havia em sua alma o impulsionava à prática da verdadeira fraternidade cristã, sabendo que ali estava diante também da carência espiritual. Sabemos que, pela sua capacidade de se envolver com os problemas alheios, com as aflições e dores dos mais desvalidos, deve ter chorado ao pé de tantos leitos, fazendo coro às dores dos que ficavam, como um familiar a mais, ou como um amigo muito íntimo.
Na igreja de São Pio X era ministro eucarístico. Assíduo e sempre disposto a cumprir o seu ministério. Aqui distribuía o alimento espiritual, o corpo e o sangue do Salvador do Mundo, morto na cruz para redimir a humanidade, encarcerada que estava sob o poder do demônio. Lá a sua grei, assistida também com assiduidade com o alimento do corpo, com as migalhas que alcançava obter dos menos desvalidos, na esperança de tirá-los dos grilhões de uma miséria incurável. Muita vez eram os mesmos que comiam de um e outro alimento. Nessas horas, a sua satisfação era dobrada, pois sabia, pela própria experiência, que corpo e alma reclamavam ambos do sustento vivificante.
Não foi homem de fortuna, é sabido. Os parentes e amigos não o queriam pelo dinheiro, tampouco os desconhecidos. Era, sim, feliz. A felicidade tem esse ímã que atrai como a força de um milagre. Os parentes o amavam, os amigos o admiravam, os desconhecidos... aprendiam cedo também a amá-lo e admirá-lo. Não conheceu a prosperidade, mas cresceu tanto em bondade que ao chegar ao cume dos oitenta e três anos pode-se dizer que triunfou: deixou para trás “desmoronamentos”, desilusões, desenganos... e um barco que nunca deixara naufragar. Falto de instrução, simples e talhado desde o berço para as lides do campo, acumulou um saber natural, que a própria vida lhe foi dando, à medida que as cãs apareciam por entre a cabeleira. E todos bebiam dessa fonte e saíam revigorados.
Quinto filho de uma família de quatro homens e quatro mulheres, sobreviveu a todos eles, ficando como um líder para o quarteto sobrevivente. À mais próxima, Antonia, que conheceu a viuvez ainda nova, assistia-a como um pai, sendo mais novo do que ela. A sua casa era o centro para onde convergiam os que se retiravam – como ele mesmo o fizera – para a Capital, e nunca poupou esforços para bem atendê-los, abrigá-los, ampará-los. Dentre as que estavam distantes, Salomé merecia maiores cuidados pois atormentava-a uma dolorosa e fatal doença: um câncer que a consumia paulatinamente. Visitava-a, a fim de dar-lhe o conforto naquela fase já considerada terminal. Voltava ufano dessas viagens, parecia que regressava de uma missão de paz, sua interferência tinha sido fundamental para o apaziguamento dos ânimos. Acreditava poder voltar muitas vezes a revê-la e com ela rezar o “Pai Nosso”...
Sábado, 24 de setembro de 1994: o jornal O Povo, de Fortaleza, no seu caderno especial “Vida & Arte”, publicou uma matéria com o título “A idade da sabedoria”, assinada por Ana Cláudia Peres. Assim termina o primeiro parágrafo a jornalista: “Seu Batista, 83, o poetinha, entra em cena e a claque agradece...”
Era assim, papai volta e meia dava largas a sua veia poética, fazendo versos de circunstância. Surpresas, as pessoas achavam pitoresca aquela lucidez, e se sentiam confusas na hora de calcular-lhe a idade. Mas o que mais contagiava era a sua alegria; afinal, as pessoas acham que velho não combina com luz, lucidez, fogo. E seu semblante era sempre iluminado, os olhos vivos, a mente fortemente preparada para disparar a palavra exata, a frase lapidada, com um calor que poderia dizer-se juvenil".

[1] Orígenes.