terça-feira, 16 de setembro de 2008
Visita a "los hermanos" argentinos
Minha religiosidade
“Continuando os depoimentos de mamãe sobre o seu passado, vejamos o que ela diz sobre sua religiosidade, ainda hoje uma nota forte e predominante de sua personalidade:"Toda a nossa religiosidade foi herdada, creio eu, de meu pai. Ele tinha uma boa formação católica, lia bons livros de religião, costumava levar os filhos (até à mais longa distância), sempre a pé, para assistir missas, especialmente quando morávamos no sertão. Certo dia apareceu por lá um santarrão, um homem tido por “santo” por algumas pessoas. Meu pai foi lá conferir se o sujeito era santo mesmo. Por inspiração ou discernimento dos espíritos disse que aquele homem não tinha nada de santo. Chegou até a discutir com o santarrão, o qual terminou por lhe rogar uma praga. Muito católico e confiante na proteção divina, meu pai não teve nenhum medo da praga. Poucos dias depois o referido santarrão se mostrou quem era ao bulir com uma jovem do lugar e ter que sair dali ás pressas. Meu pai também era anticomunista convicto. Quando soube que a badalada “coluna Prestes”, um grupo de comunistas que andava pelas matas, andava pelo sertão e diziam que passaria por onde morávamos, mandou fazer uma grande faixa e colocou-a na entrada do nosso lugarejo; estava escrito nela “abaixo o bolchevismo!” Ele não tinha armas e nem com que enfrentar os comunistas, mas queria deixar patente que não eram bem-vindos.
Quando chegamos em Fortaleza, tinha que ir assistir à Missa numa igreja que ficava longe, ao lado de um hospital psiquiátrico, a qual nós chamávamos “Igreja do Asilo” . Havia também, dentro do hospital, uma capela chamada de “Santa Porciúncula”. Tendo aprendido com meu pai a nunca perder uma missa, e preocupada em não chegar atrasada, sempre saía de casa cedo, de madrugada, e estava na igreja muito tempo antes da missa. Certo dia chegamos lá tão cedo que a igreja ainda estava fechada. Estava com as crianças, que levava comigo para aprenderem o bom caminho. Bati na porta e me atendeu um padre dizendo que ainda era muito cedo e que a missa só começaria dali a tantas horas. Mesmo assim, insisti com ele para que deixasse entrar com as crianças e esperasse lá dentro a hora da missa. Disse ele então que fosse para a capela de Santa Porciúncula, pois lá teria a companhia das freiras. E assim fiz e lá fiquei com as crianças até á hora da missa, isto é, quatro ou cinco horas da manhã (não me lembro bem).
Meu pai também nunca perdeu uma missa de domingo, e até assistia a tantas missas quanto podia no decorrer da semana. Certa feita, quando já morava em Fortaleza, trabalhava como guarda noturno e resolveu deixar o posto de trabalho para assistir uma missa, já amanhecendo o dia. Chegou o patrão e, não o encontrando no seu posto, despediu-o do emprego. Ele nem tentou se justificar ou inventar alguma desculpa esfarrapada, foi sincero e disse simplesmente para o patrão que estava na igreja assistindo a missa. Mesmo tendo perdido o emprego não se arrependeu do que fez, pois, segundo ele, tinha comungado e cumprido uma propósito de fidelidade a Deus”.
Homenagem póstuma de um filho (XIV)
A MORTE DO MEU PAI
Por: Jurandir Josino Cavalcante
Recorro novamente ao prontuário, essa testemunha muda, tesoureira dos instantes mais dolorosos de meu pai. Olho-o com carinho, folheio as suas páginas cuidadosamente, passeando os olhos pelas letras dos médicos, hieroglíficas, misteriosas, apocalípticas, e detecto as últimas cenas da tragédia paterna.
“20.01.95: No quarto dia de UTI, continua quase no mesmo estado. Aceitou parcialmente a sua dieta, acesso venoso na subclava esquerda desde o segundo dia; em uso de sonda nasogástrica, para melhorar respiração; sonda vesical com pouca diurese; líquido diálico já meio limpo. Feito eletrocardiograma; continua monitorizado, em oxigênio contínuo; às 12:15 foi entubado, com uso do respirador artificial automático (Mark-7-Berd); secreção nasogástrica de cor marrom escuro, em quantidade razoável; administrada 10 ml de água pela sonda e aspirado logo em seguida para não obstruí-la. 18:00 h: encontra-se em estado grave, em coma, não respondendo aos estímulos dolorosos, hipotenso, com cianose periférica importante; sem diurese. 21:00 h: aspirada secreção em média quantidade, de cor marrom, finalizando sanguinolenta, bastante por via oral, do mesmo aspecto da cânula. Diante de seu estado cada vez mais grave, foi fechada a sonda nasogástrica”.
Nessa sexta-feira a coragem me saiu fugindo estrada afora, abandonando impiedosamente a minha emoção. O meu pai estava entubado, era tudo, não suportaria vê-lo em mais esse suplício. Os que entraram a visitá-lo, voltaram horrorizados, viram não só um homem que perdera a batalha da vida, mas um homem já quase sem vida, um trapo de homem, uma tênue chama de vida. Onde estava a alegria de meu pai? A sua vivacidade? O seu olhar sincero? A sua palavra amiga? O seu abraço de pai? Estavam ali escondidas à sombra de suas dores, e suas dores a fazerem motim contra esse grande comandante.
Chegara a noite e me vieram os pressentimentos: o meu pai deveria morrer no dia seguinte, sábado, esta noite, portanto, seria a grande agonia, os instantes cruciais, dos estertores... Perguntava-me: por que não ir ao hospital e fazer uma vigília nesses seus derradeiros momentos? Não fui, preferi dormir e aguardar o desfecho da história paterna no meu leito. Sabia que o dia seguinte seria de muita dor, muito sofrimento, em que era necessária muita energia, muita força de alma.
Antes de deitar-me, às 21:00 horas, telefona o doutor Everardo, médico desse hospital, informando o estado de saúde de meu pai. Disse-me: “Está com uremia, pressão de 4 X 6, seu estado é gravíssimo”, e acrescentou: “Considero o seu estado geral como estado de choque”. Travava corpo-a-corpo com a morte, mansa resistência, já que hauridas as forças, tinha-se como vencido. Mas era mesmo um herói prestes a receber a palma do martírio, que viria logo em seguida.
Noite escura, noite tenebrosa...
Dormi, sim, profundamente de sexta para sábado, não sonhei, mas, no momento que abri os olhos, o pensamento como que deu continuidade ao que já vinha martelando, e a palavra foi a mesma: Meu pai!
Nessa manhã de sábado, quente, ensolarada, o prontuário registrou os momentos finais de meu pai, o seu fim, predito por ele há dois dias:
“21.01.95: 06:00 h, aspirada grande quantidade de secreção oral, da cor de borra de café. Realizada higiene oral e íntima, feita glicemia (resultado 240 mg/dc)”. Aqui parece que os órgãos cansados de meu pai perdiam a consistência, se transformavam em lama, se derretiam. O seu esforço talvez de prolongar a vida, pela secura de bem servir a Deus e ao próximo, faziam-no implodir. Seria o caso de perguntar ao seu coração: Velho amante dos filhos, da mulher, dos irmãos, do mundo, de Deus, por que não resistis?
“Prescrição médica, a mesma, assistido pelo plantonista. Feito bicarbonato de sódio, 5 amp. para reanimá-lo, porém sem sucesso. Dieta zero, sonda nasogástrica em aspiração, acrescentado à medicação Revivan 50 ml + SG 200 ml, lento, além de outras medicações anteriores.” A tentativa de reanimá-lo não obtinha mais sucesso, pois já se sentia entregue ao Pai. Não mais se alimentava. Afinal, estava tudo corroído por dentro...
“Muito grave, largado, não mais respondendo aos estímulos verbais, cianosado, pressão arterial inaudível, pulso imperceptível, hipotérmico.” Ora, de flagelado da seca, nos anos de juventude, a flagelado da própria vida, quando a velhice já fazia peso no funcionamento dos órgãos. Não podia mais responder a qualquer estímulo, mesmo à voz de sua princezinha, estímulo maior de sua vida.
“Secreção nasogástrica borra de café, diálise peritonal com líquido sanguinolento. 08:15 h, apresentou parada cardiorrespiratória; feitas manobras de ressuscitação cardiopulmonar e medicação de urgência, no momento, com êxito; administrado Dopomina 45 ml/h; feito eletrocardiograma e respiração cardiorrespiratória”. Borra de café, borra de café... Que doloroso para nós os filhos, que cena terrível, que dor! O meu pai se transformava em borra de café! Mas... e o coração? Estava como um velho relógio, não queria mais marcar as horas, queria deixar-se ficar parado sob a brisa da manhã.
“09:00 h, apresentou bradicardia intensa; feita novamente medicação de urgência, sem êxito. 09:30 h, constatou-se óbito, feito pedido de necropsia, familiares cientes, corpo encaminhado à patologia”. Estava em marcha lenta o velho coração... Era a grande sinfonia que terminava agora com uma simples nota claudicante, e que silenciava pela própria incapacidade de se harmonizar com o restante das notas. O meu pai parava de respirar, parava de falar, parava de ver, parava de pensar, parava de viver... mas não parava de amar, pois é esse o momento em que o ser se encontra capaz de amar verdadeira e profundamente a todos, porque tem não mais a alma a comandar o corpo, mas a alma a ditar todos os procedimentos em vista do amor. Agora, diante do meu velho pai morto, confirmava aquelas suas palavras, de dois dias atrás, respondendo-o: É meu pai, chegou o fim!
Fiquei triste, sim, pois fiquei sem o meu pai, mas... e o Céu, não terá ficado mais alegre com recebê-lo?
Meu pai era tudo o que possuía,
Pois ensinou-me a arte do sorrir,
E nas horas de dor, do mal ferir
Depositou a mão de Deus na minha!
Com teu sorriso, pai, foste meu guia.
Com teu conselho o meu bem conduzir.
Foste a luz pelo caminho a esparzir
As doces notas da Ave Maria!
Hoje rezo, e rezo a toda a hora,
Pelo menos para sonhar contigo...
Porque a morte, que leva tudo embora,
Numa triste manhã, e sorrateira,
Usando da inclemência costumeira
Levou-te, pai, meu único amigo!
Por: Jurandir Josino Cavalcante
Recorro novamente ao prontuário, essa testemunha muda, tesoureira dos instantes mais dolorosos de meu pai. Olho-o com carinho, folheio as suas páginas cuidadosamente, passeando os olhos pelas letras dos médicos, hieroglíficas, misteriosas, apocalípticas, e detecto as últimas cenas da tragédia paterna.
“20.01.95: No quarto dia de UTI, continua quase no mesmo estado. Aceitou parcialmente a sua dieta, acesso venoso na subclava esquerda desde o segundo dia; em uso de sonda nasogástrica, para melhorar respiração; sonda vesical com pouca diurese; líquido diálico já meio limpo. Feito eletrocardiograma; continua monitorizado, em oxigênio contínuo; às 12:15 foi entubado, com uso do respirador artificial automático (Mark-7-Berd); secreção nasogástrica de cor marrom escuro, em quantidade razoável; administrada 10 ml de água pela sonda e aspirado logo em seguida para não obstruí-la. 18:00 h: encontra-se em estado grave, em coma, não respondendo aos estímulos dolorosos, hipotenso, com cianose periférica importante; sem diurese. 21:00 h: aspirada secreção em média quantidade, de cor marrom, finalizando sanguinolenta, bastante por via oral, do mesmo aspecto da cânula. Diante de seu estado cada vez mais grave, foi fechada a sonda nasogástrica”.
Nessa sexta-feira a coragem me saiu fugindo estrada afora, abandonando impiedosamente a minha emoção. O meu pai estava entubado, era tudo, não suportaria vê-lo em mais esse suplício. Os que entraram a visitá-lo, voltaram horrorizados, viram não só um homem que perdera a batalha da vida, mas um homem já quase sem vida, um trapo de homem, uma tênue chama de vida. Onde estava a alegria de meu pai? A sua vivacidade? O seu olhar sincero? A sua palavra amiga? O seu abraço de pai? Estavam ali escondidas à sombra de suas dores, e suas dores a fazerem motim contra esse grande comandante.
Chegara a noite e me vieram os pressentimentos: o meu pai deveria morrer no dia seguinte, sábado, esta noite, portanto, seria a grande agonia, os instantes cruciais, dos estertores... Perguntava-me: por que não ir ao hospital e fazer uma vigília nesses seus derradeiros momentos? Não fui, preferi dormir e aguardar o desfecho da história paterna no meu leito. Sabia que o dia seguinte seria de muita dor, muito sofrimento, em que era necessária muita energia, muita força de alma.
Antes de deitar-me, às 21:00 horas, telefona o doutor Everardo, médico desse hospital, informando o estado de saúde de meu pai. Disse-me: “Está com uremia, pressão de 4 X 6, seu estado é gravíssimo”, e acrescentou: “Considero o seu estado geral como estado de choque”. Travava corpo-a-corpo com a morte, mansa resistência, já que hauridas as forças, tinha-se como vencido. Mas era mesmo um herói prestes a receber a palma do martírio, que viria logo em seguida.
Noite escura, noite tenebrosa...
Dormi, sim, profundamente de sexta para sábado, não sonhei, mas, no momento que abri os olhos, o pensamento como que deu continuidade ao que já vinha martelando, e a palavra foi a mesma: Meu pai!
Nessa manhã de sábado, quente, ensolarada, o prontuário registrou os momentos finais de meu pai, o seu fim, predito por ele há dois dias:
“21.01.95: 06:00 h, aspirada grande quantidade de secreção oral, da cor de borra de café. Realizada higiene oral e íntima, feita glicemia (resultado 240 mg/dc)”. Aqui parece que os órgãos cansados de meu pai perdiam a consistência, se transformavam em lama, se derretiam. O seu esforço talvez de prolongar a vida, pela secura de bem servir a Deus e ao próximo, faziam-no implodir. Seria o caso de perguntar ao seu coração: Velho amante dos filhos, da mulher, dos irmãos, do mundo, de Deus, por que não resistis?
“Prescrição médica, a mesma, assistido pelo plantonista. Feito bicarbonato de sódio, 5 amp. para reanimá-lo, porém sem sucesso. Dieta zero, sonda nasogástrica em aspiração, acrescentado à medicação Revivan 50 ml + SG 200 ml, lento, além de outras medicações anteriores.” A tentativa de reanimá-lo não obtinha mais sucesso, pois já se sentia entregue ao Pai. Não mais se alimentava. Afinal, estava tudo corroído por dentro...
“Muito grave, largado, não mais respondendo aos estímulos verbais, cianosado, pressão arterial inaudível, pulso imperceptível, hipotérmico.” Ora, de flagelado da seca, nos anos de juventude, a flagelado da própria vida, quando a velhice já fazia peso no funcionamento dos órgãos. Não podia mais responder a qualquer estímulo, mesmo à voz de sua princezinha, estímulo maior de sua vida.
“Secreção nasogástrica borra de café, diálise peritonal com líquido sanguinolento. 08:15 h, apresentou parada cardiorrespiratória; feitas manobras de ressuscitação cardiopulmonar e medicação de urgência, no momento, com êxito; administrado Dopomina 45 ml/h; feito eletrocardiograma e respiração cardiorrespiratória”. Borra de café, borra de café... Que doloroso para nós os filhos, que cena terrível, que dor! O meu pai se transformava em borra de café! Mas... e o coração? Estava como um velho relógio, não queria mais marcar as horas, queria deixar-se ficar parado sob a brisa da manhã.
“09:00 h, apresentou bradicardia intensa; feita novamente medicação de urgência, sem êxito. 09:30 h, constatou-se óbito, feito pedido de necropsia, familiares cientes, corpo encaminhado à patologia”. Estava em marcha lenta o velho coração... Era a grande sinfonia que terminava agora com uma simples nota claudicante, e que silenciava pela própria incapacidade de se harmonizar com o restante das notas. O meu pai parava de respirar, parava de falar, parava de ver, parava de pensar, parava de viver... mas não parava de amar, pois é esse o momento em que o ser se encontra capaz de amar verdadeira e profundamente a todos, porque tem não mais a alma a comandar o corpo, mas a alma a ditar todos os procedimentos em vista do amor. Agora, diante do meu velho pai morto, confirmava aquelas suas palavras, de dois dias atrás, respondendo-o: É meu pai, chegou o fim!
Fiquei triste, sim, pois fiquei sem o meu pai, mas... e o Céu, não terá ficado mais alegre com recebê-lo?
Meu pai era tudo o que possuía,
Pois ensinou-me a arte do sorrir,
E nas horas de dor, do mal ferir
Depositou a mão de Deus na minha!
Com teu sorriso, pai, foste meu guia.
Com teu conselho o meu bem conduzir.
Foste a luz pelo caminho a esparzir
As doces notas da Ave Maria!
Hoje rezo, e rezo a toda a hora,
Pelo menos para sonhar contigo...
Porque a morte, que leva tudo embora,
Numa triste manhã, e sorrateira,
Usando da inclemência costumeira
Levou-te, pai, meu único amigo!
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Uma tradição que se perpetua na Igreja: Bênção do Santíssimo Sacramento
As cerimônias que na Igreja se chama "Bênção do Santíssimo Sacramento" foram realzadas com pompa solene e ritual sagrado durante séculos e séculos. Muitos pregoeiros da modernidade disseram que este tipo de cerimônias é coisa do passado e que os tempos modernos exigem coisas mais simples, populares, "rés-ao-chão", para aproximar o Deus do "povão". Não é esta a realidade: elevando os ritos sagrados, com beleza, arte, pompa e riqueza procuramos aproximarmo-nos mais de Deus. Assista as belíssimas cerimônias transmitidas pelos vídeos abaixo. Fazem parte de uma mesma cerîmônia: a Bênção do Santíssimo Sacramento feita pelo padre João Clá na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, dos Arautos do Evangelho, em São Paulo.
domingo, 7 de setembro de 2008
Nossas eleições contribuem para a democracia?
A cada eleição que passa nota-se uma piora na qualidade dos candidatos, do sistema eleitoral e da propaganda política, uma das mais ridículas que existe no mundo. A começar pela própria propaganda do TRE com alguns comerciais horríveis e mal feitos. Quanto aos candidatos, nem se fala. Nesta eleição descobriu-se que mais de 20 candidatos a vereador na Bahia são analfabetos. A par de uma generalizada baixaria na propaganda da TV e do rádio, nota-se também um acúmulo de promessas mentirosas e inverossímeis dos candidatos. Um candidato a prefeito, por exemplo, prometeu construir 500 postos médicos se for eleito, pelo que foi interpelado: como será possível construir 500 postos médicos numa gestão de 4 anos se o mesmo já havia sido prefeito por oito anos (em duas gestões anteriores) e só havia constrúído 85? Que tal a gente dá uma olha nos vídeos abaixo? É uma coletânia da propaganda política de alguns candidatos hilariantes. Se não fosse tão triste e desse vontade de chorar, seria realmente hilariante.
sábado, 6 de setembro de 2008
Unção dos enfermos
Homenagem póstuma de um filho (XIII)
Por: Jurandir Josino Cavalcante
Unção dos Enfermos
Cedinho, quando o fusco da antemanhã ainda lançava as suas sombras sobre as mangueiras de D. Dica, papai ouviu um assobio, longínquo, ecoante, simpático, familiar: “Seu Batiiistaa!” Olhou para a janela do oitão, com o pensamento, pois o sono não o deixava nem mesmo abrir os olhos, e disse baixinho, quase sussurrante, para mamãe que ressonava:
- É o padre Rolim.
Ela, sem se mexer e abrindo os olhos, espantada:
- Esta hora?
Levantou-se, foi fazer o café. Daí a minutos voltou:
- Francisco, ô Francisco! Franciiiisco...
Ele entreabriu os olhos, tentou se espreguiçar... alguma coisa o prendia na cama. O quarto ainda escuro, brumoso, um cheiro esquisito... Quis perguntar pela Raimunda, respondendo ao seu chamado, mas não o fez: junto ao seu leito já se encontrava a enfermeira com um prato de mingau.
- Vamos, Seu Batista?
- Hã!!
- Sabe que horas são? 8:45h, Seu Batista, dormiu que só um frade!
- Atropelou algumas palavras, que a respiração ofegante liberou, alcançando articular ainda:
- A Raimunda e os meninos chegaram...?
- Não, Seu Batista, é de manhã; eles só vêm a tarde.
Aproximou-se mais e logo introduziu a primeira colher de mingau na sua boca, verificando simultaneamente as horas, com fisionomia preocupada de quem não tinha sido substituída no plantão da noite. Mas... nós que estamos tão distantes de ambos, pela ação física do tempo, aproximemos-nos espiritualmente dessa cena, e, se nos deixarem, enfiemos o olho, a língua, ou o dedo, experimentemos esse mingau de maisena. Hum! É um tanto desgostoso, sem açúcar, de uma cor indefinida, nem branco nem amarelo. Ele parece engolir com dificuldade, como quem quer pedir um pouco de água... A enfermeira não, que veste uma roupa velha da cor do mingau, não está tão desanimada assim, tem fome e comeria até isso. Ele anda sem estômago pra digerir, razão por que do seu semblante está saindo este ar de irônica rejeição a tudo, e parece dizer com enfezamento: “Droga! Droga! Tratamento errado, por que toda essa drogaria em volta de mim, e essa parafernália, e esse montão de gente me interrogando?”. Perdoe-me, irmão, você não gosta de citações eruditas, mas olha do que me lembrei agora, daquele verso da Eneida: “Longe de calmo mostrar-se, o remédio mais áspero o deixa” , que me dispenso de citar em latim. Mas está tão impotente, atada a língua, os braços, as pernas, a vontade, a mente, os nervos, que mesmo seu gemido parece sair espremido, contrafeito, furtivo. Queremos ajudá-lo, e estamos também presos a uma impossibilidade, só vencida pelo sobrenatural do qual somos só conteúdo. Não obstante, esquadrinhemos no seu Prontuário os itens mais importantes:
1. Dieta hipossódica branda com restrição;
2. Hidróxido de alumínio, durante as refeições;
3. Capoten;
4. O2 úmido, contínuo;
5. Cabeceira elevada a 45;
6. Cimetidina à noite;
7. Balanço hídrico;
8. Monitorização + ECG diário;
9. Fisioterapia respiratória;
10. Diálise peritoneal;
11. Sinais vitais 4/4h.
Saudades da Leda, hem, papai? Não vamos encompridar este assunto, que vão acontecer coisas mais importantes pela frente.
O prontuário não faz referência à refeição oral antes das 15:15h, quando “Aceitou 150 ml de leite”, mas traz duas anotações aparentemente graves: “18:00 Não foi administrada a dieta neste horário. O mesmo apresentou bastante vômitos”, e de 00:50h: “Consciente, orientado, gemente. Apresentando tosse produtiva, porém sem expectorar. Afebril, taquipnéico... Em diálise peritoneal, a mesma sem drenar satisfatoriamente; retirado cateter e recolocado novo cateter. De início líquido drenando bem, mas logo em seguida a drenagem cessou e o líquido apresentou-se c/ grumos, obstruindo o fluxo; trocado bolsa coletora e equipamento da diálise, porém não houve resultado; plantonista ciente”.
Quando entrei, nesta tarde, o meu pai já tomara o leite, e nem aparentava tê-lo feito, ou talvez sim, se considerarmos a branquidão de seu rosto. Fiz como das vezes anteriores, agarrei a sua perna e sacudi-a devagar. Ele abriu os olhos, que rebrilharam naquele ambiente cinza, aqueles olhos que me ajudaram a trocar os primeiros olhares desta vida, que me guiaram pelas sendas do bem. As palavras que me disse ficaram aqui dentro gravadas e tão fundamente impressas que parece se repetirem, se repetirem, me remetendo para a infância ou para a velhice, num jogo de ser o filho um outro pai:
- Meu filho, chegou o fim!
Perplexo, tive vontade de abraçá-lo, de chorá-lo ali mesmo, de beijá-lo muitas vezes... Chorei-o, sim, senão lá fora, desconsoladamente. Dentre os que se achegaram para aliviar minha dor estava o meu irmão mais velho: lembrou-me desse instante sublime da extrema-unção, que buscasse um padre, fizesse caridade com nosso pai. Não pensei, agi, como um ser que às vezes prescinde do órgão pensante por ser mais prático dar aos outros órgãos o livre arbítrio que eles precisam para atingir o fim que desejamos. Rememore-se à vontade, pois este socorro não lhe faltou, ou porque as pernas souberam cumprir o seu papel, ou porque a fala foi competente para convencer o padre, ou ainda porque este teve boa disposição para atender ao chamado. O certo é que, no declinar do sol, quando todas as frestas apagavam as suas réstias, o meu pai estava recebendo a visita do padre Luiz Alberto.
Difícil não fora trazê-lo, era disposto, principalmente para o mister, pois confessava seguida e pacientemente pelo longo das tardes a quem lhe aparecia carregado de pecados. Quando me introduzi na sacristia estava lá ele, sentado ao birô, purificando uma alma. Logo me chamou. Feito o pedido, desceu ao carro a pegar a maleta de seus petrechos. Abalamo-nos na direção do hospital. No caminho, eu repetia continuamente aquelas palavras do meu pai: “Meu filho, chegou o fim!”. Dentro em mim havia um buraco, expulso por completo o conteúdo do meu corpo, aquelas palavras brincavam de voar no vazio do meu ser, batendo nas paredes laterais e internas da minha cabeça: “Meu filho, chegou o fim!”.
- Padre, por que o homem vive tão intensamente oitenta e três anos, ignorante de seu fim, mas conhece-o quando está bem próximo?
- Meu filho é mistério, que somente a Deus é dado conhecer. Mas conjeturas são bem-vindas.
- Como assim, padre?
-Assim, meu filho: podemos imaginar razões naturais ou razões sobrenaturais. Dentre as primeiras, temos um homem no cimo da montanha dos oitenta e três anos, no declínio das forças, sem o vigor de outrora, tendo aos ombros o peso da ancianidade, a sofrer o terremoto de uma terrível doença. Estremece, tenta se firmar, equilibra-se, cai; prostra-se, tenta ainda se soerguer... e na luta que trava com esse terrível inimigo vai perdendo as forças, vai sentindo esvair-se a própria vida, até que, impotente de todas as potências, reconhece-se um trapo, um nada, um morto-vivo. A vida escapou-lhe talvez pelos poros e teima em estar presente na psique, como uma chama breve que vai desaparecendo ao sopro da brisa. Os limites do homem estão sendo postos à prova, e tendo ele atingido o seu, reconhece-se no fim, sente que esta velha máquina a qualquer momento pára, e, enfim, desiste de resistir, e consciente começa a morrer lentamente, assistindo ele próprio à destruição do que ainda lhe resta. Como o cisne, conhecendo a proximidade da morte, canta seu último canto: “Meu filho, chegou o fim”.
- Esta seria a explicação natural...
- A natural. Entremos na sobrenatural.
Enquanto isto eu acelerava mais o carro, pois uma má impressão me dava aqui dentro de que não chegaríamos a tempo de levar ao meu pai o último socorro, o conforto e esperança para seu espírito. Olhei para o meu passageiro, emudecido de repente; a cabeça um pouco pendida e gota de suor a escorrer se desviando do pomo em direção ao tórax.
- Problemas, padre?
- Não... Sim, minha mãezinha, está também velhinha. Daqui a pouco terei que buscar suas razões, inquirir dos valores naturais e dos sobrenaturais, menos para aliviar-me na perda dela do que para responder ao meu subconsciente às indagações sobre seus momentos finais; e anseio por respostas que satisfaçam aos dois valores. Ao dizer isto os seus olhos brilharam; e se a lágrima veio ao rosto, não a pude ver, pois fui obrigado a dar mais atenção ao trânsito, sob pena de bater noutro carro.
- Padre, a razão sobrenatural!
- Ah! Temos pouco tempo, mas vejamos. O seu pai recebeu uma graça de conversão, que é como um aceno de Deus: “Você, meu filho pródigo, tem o seguinte prazo para voltar para casa, e fazer as pazes com seu velho pai”. Se voltar, será bem recebido. Deus o espera, como aquele outro pai do Antigo Testamento. O filho, ainda entre os mortais, pode escolher de passar o último dia genuflexo, diante da porta que a qualquer momento será aberta para ele abraçar, ainda de joelhos, os pés daquele que lhe dera a vida, e que agora a restitui com promessa de eternidade. Reconciliação é a chave que lhe abre porta... O velho sacerdote, empolgado com o tema dos Novíssimos, parecia fazer sermão aos fiéis na Semana Santa. Discorreu longamente sobre “reconciliação”, “salvação eterna”, “desígnios divinos”. “Não nos é dado conhecer, por nossas potências, o fim do desterro ao qual o pecado nos submeteu, mas muitos são – como seu velho pai – que demonstram sabê-lo a poucas horas do túmulo”; citou Bernardes: “Assim como não soube o dia de minha entrada nele (mundo), tão pouco sei o de minha saída”, e, ao cabo, notando a minha apreensão e a proximidade já do hospital, concluiu com Jó: “O homem nascido da mulher vive pouco tempo e é cheio de muitas misérias; é como uma flor que germina e logo fenece”.
Chegamos, apeamos e fomos ver o nosso homem.
Qualquer descrição que fizesse da natureza, do crepúsculo, das sombras que rondavam o hospital, do bafejo da brisa, do semblante das pessoas, seria mera literatura. Nada via senão o meu pai; nada me atraía a atenção, nada mais ocupava o meu pensamento, nada mais tinha existência senão o meu pai, e era preciso prolongar essa existência, era preciso garantir-lhe a certeza da outra existência; a pregação do sacerdote se repetia lá no âmago de meu ser, como o eco de um sino que deixara de bater.
Ao pé do leito, quando apalpei o seu pé, seco e amarelento, repetindo o gesto das outras vezes, tive um sobressalto: estava frio, frio como o ambiente que o abrigava, como as pessoas que o assistiam. Abriu os olhos, e em tom de surpresa:
- Meu filho!
- Papai – disse-lhe com a emoção meio embargando a voz – trouxe-lhe um padre...
- Oh! meu filho, muito obrigado, Deus lhe pague!
O sacerdote chegara para ajudá-lo a se preparar, a morte era já no caminho: a alma que vestisse roupa nova, expulsasse os maus elementos e começasse a rezar pelas suas futuras companheiras. Abriu a maleta, tirou o aspersório e deu de aspergir tudo, começando pelo meu velho moribundo; nesse momento o meu pai abriu a boca e soltou um urro, de sonido feio, depois quietou, plácido, lúcido e desejoso de acompanhar as orações. Rezamos o confiteor, que é ato penitencial, e foi-lhe dada a absolvição dos pecados: “Deus Pai de Misericórdia que pela ressurreição de Seu Filho reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”. Deu-lhe hóstia, que recebeu naturalmente, quer dizer, sem obstáculos na deglutição, e radiante.
O padre Luiz era singelo no ofício, a modo de quem pouco pensa no que faz, sem lhe botar emoção, mas fazia com graça. Pegou ainda do livrinho para os dois momentos finais: a Unção dos Enfermos, cuja fórmula inicia com estas palavras: “Por esta Santa Unção e pela Sua infinita misericórdia...” e a Bênção Papal: “Eu, pela faculdade que me foi dada pela Sé Apostólica, te concedo indulgência plenária e perdão de todos os teus pecados...”. Com os acréscimos de um Pai Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai. No instante em que iniciamos a oração do Pai Nosso, o meu pai – querendo seguir o costume – fez menção de elevar as mãos, mas foi impedido pelos cordões que o amarravam, e o mesmo quando quis se benzer.
Vem a propósito definir o que foi a existência de meu pai até aqui, e o que vem a ser o que acabamos de contar: Preâmbulo, apenas um preâmbulo. Sim, porque “a morte é premissa de vida e de fruto abundante” , pois a verdadeira vida começa após a morte, duradoura, eterna. Nesta vivemos a contar o tempo, na outra não há tempo cronológico, como dizia Santa Tereza: “Espantava-nos muito, o dizer-se, no que líamos, que a pena e a glória eram para sempre. Acontecia-nos estar grandes bocados tratando disto e gostávamos de dizer muitas vezes: para sempre, sempre, sempre ”.
Para sempre, sim, e para sempre é a separação física, enquanto estivermos nesta vida, “gastando os últimos cartuchos”, mas será grande a alegria se com ele, meu pai, nos reunirmos lá onde Deus tem sua morada, morada celeste.
Retornei com o sacerdote para a sua igreja. Nada mais falamos. Talvez algum comentário sobre o tempo... Despedimo-nos, agradeci muito, osculei sua mão. Fui para casa dividido o pensamento entre o padre e o pai: o padre, um pai; o pai, um padre.
Recorro novamente ao prontuário, essa testemunha muda, tesoureira dos instantes mais dolorosos de meu pai. Olho-o com carinho, folheio as suas páginas cuidadosamente, passeando os olhos pelas letras dos médicos, hieroglíficas, misteriosas, apocalípticas, e detecto mais algumas cenas da tragédia paterna.
Sobre a unção dos enfermos
Sobre a unção dos enfermos, reza o Catecismo da Igreja Católica: "A compaixão de Jesus pelos doentes e as numerosas curas de enfermos são um claro sinal de que, com Ele, chegou o Reino de Deus e a vitória sobre o pecado, o sofrimento e a morte. Com a sua paixão e morte, Ele dá um novo sentido ao sofrimento, o qual, se unido ao seu, pode ser meio de purificação e de salvação para nós e para os outros." (n. 314) e "A Igreja, tendo recebido do Senhor a ordem de curar os enfermos, procura pô-la em prática com os cuidados para com os doentes, acompanhados da oração de intercessão. Ela possui sobretudo um sacramento específico em favor dos enfermos, instituído pelo próprio Cristo e atestado por São Tiago: «Quem está doente, chame a si os presbíteros da Igreja e rezem por ele, depois de o ter ungido com óleo no nome do Senhor» (Tg 5,14-15)." (n. 315).
Por: Jurandir Josino Cavalcante
Unção dos Enfermos
Cedinho, quando o fusco da antemanhã ainda lançava as suas sombras sobre as mangueiras de D. Dica, papai ouviu um assobio, longínquo, ecoante, simpático, familiar: “Seu Batiiistaa!” Olhou para a janela do oitão, com o pensamento, pois o sono não o deixava nem mesmo abrir os olhos, e disse baixinho, quase sussurrante, para mamãe que ressonava:
- É o padre Rolim.
Ela, sem se mexer e abrindo os olhos, espantada:
- Esta hora?
Levantou-se, foi fazer o café. Daí a minutos voltou:
- Francisco, ô Francisco! Franciiiisco...
Ele entreabriu os olhos, tentou se espreguiçar... alguma coisa o prendia na cama. O quarto ainda escuro, brumoso, um cheiro esquisito... Quis perguntar pela Raimunda, respondendo ao seu chamado, mas não o fez: junto ao seu leito já se encontrava a enfermeira com um prato de mingau.
- Vamos, Seu Batista?
- Hã!!
- Sabe que horas são? 8:45h, Seu Batista, dormiu que só um frade!
- Atropelou algumas palavras, que a respiração ofegante liberou, alcançando articular ainda:
- A Raimunda e os meninos chegaram...?
- Não, Seu Batista, é de manhã; eles só vêm a tarde.
Aproximou-se mais e logo introduziu a primeira colher de mingau na sua boca, verificando simultaneamente as horas, com fisionomia preocupada de quem não tinha sido substituída no plantão da noite. Mas... nós que estamos tão distantes de ambos, pela ação física do tempo, aproximemos-nos espiritualmente dessa cena, e, se nos deixarem, enfiemos o olho, a língua, ou o dedo, experimentemos esse mingau de maisena. Hum! É um tanto desgostoso, sem açúcar, de uma cor indefinida, nem branco nem amarelo. Ele parece engolir com dificuldade, como quem quer pedir um pouco de água... A enfermeira não, que veste uma roupa velha da cor do mingau, não está tão desanimada assim, tem fome e comeria até isso. Ele anda sem estômago pra digerir, razão por que do seu semblante está saindo este ar de irônica rejeição a tudo, e parece dizer com enfezamento: “Droga! Droga! Tratamento errado, por que toda essa drogaria em volta de mim, e essa parafernália, e esse montão de gente me interrogando?”. Perdoe-me, irmão, você não gosta de citações eruditas, mas olha do que me lembrei agora, daquele verso da Eneida: “Longe de calmo mostrar-se, o remédio mais áspero o deixa” , que me dispenso de citar em latim. Mas está tão impotente, atada a língua, os braços, as pernas, a vontade, a mente, os nervos, que mesmo seu gemido parece sair espremido, contrafeito, furtivo. Queremos ajudá-lo, e estamos também presos a uma impossibilidade, só vencida pelo sobrenatural do qual somos só conteúdo. Não obstante, esquadrinhemos no seu Prontuário os itens mais importantes:
1. Dieta hipossódica branda com restrição;
2. Hidróxido de alumínio, durante as refeições;
3. Capoten;
4. O2 úmido, contínuo;
5. Cabeceira elevada a 45;
6. Cimetidina à noite;
7. Balanço hídrico;
8. Monitorização + ECG diário;
9. Fisioterapia respiratória;
10. Diálise peritoneal;
11. Sinais vitais 4/4h.
Saudades da Leda, hem, papai? Não vamos encompridar este assunto, que vão acontecer coisas mais importantes pela frente.
O prontuário não faz referência à refeição oral antes das 15:15h, quando “Aceitou 150 ml de leite”, mas traz duas anotações aparentemente graves: “18:00 Não foi administrada a dieta neste horário. O mesmo apresentou bastante vômitos”, e de 00:50h: “Consciente, orientado, gemente. Apresentando tosse produtiva, porém sem expectorar. Afebril, taquipnéico... Em diálise peritoneal, a mesma sem drenar satisfatoriamente; retirado cateter e recolocado novo cateter. De início líquido drenando bem, mas logo em seguida a drenagem cessou e o líquido apresentou-se c/ grumos, obstruindo o fluxo; trocado bolsa coletora e equipamento da diálise, porém não houve resultado; plantonista ciente”.
Quando entrei, nesta tarde, o meu pai já tomara o leite, e nem aparentava tê-lo feito, ou talvez sim, se considerarmos a branquidão de seu rosto. Fiz como das vezes anteriores, agarrei a sua perna e sacudi-a devagar. Ele abriu os olhos, que rebrilharam naquele ambiente cinza, aqueles olhos que me ajudaram a trocar os primeiros olhares desta vida, que me guiaram pelas sendas do bem. As palavras que me disse ficaram aqui dentro gravadas e tão fundamente impressas que parece se repetirem, se repetirem, me remetendo para a infância ou para a velhice, num jogo de ser o filho um outro pai:
- Meu filho, chegou o fim!
Perplexo, tive vontade de abraçá-lo, de chorá-lo ali mesmo, de beijá-lo muitas vezes... Chorei-o, sim, senão lá fora, desconsoladamente. Dentre os que se achegaram para aliviar minha dor estava o meu irmão mais velho: lembrou-me desse instante sublime da extrema-unção, que buscasse um padre, fizesse caridade com nosso pai. Não pensei, agi, como um ser que às vezes prescinde do órgão pensante por ser mais prático dar aos outros órgãos o livre arbítrio que eles precisam para atingir o fim que desejamos. Rememore-se à vontade, pois este socorro não lhe faltou, ou porque as pernas souberam cumprir o seu papel, ou porque a fala foi competente para convencer o padre, ou ainda porque este teve boa disposição para atender ao chamado. O certo é que, no declinar do sol, quando todas as frestas apagavam as suas réstias, o meu pai estava recebendo a visita do padre Luiz Alberto.
Difícil não fora trazê-lo, era disposto, principalmente para o mister, pois confessava seguida e pacientemente pelo longo das tardes a quem lhe aparecia carregado de pecados. Quando me introduzi na sacristia estava lá ele, sentado ao birô, purificando uma alma. Logo me chamou. Feito o pedido, desceu ao carro a pegar a maleta de seus petrechos. Abalamo-nos na direção do hospital. No caminho, eu repetia continuamente aquelas palavras do meu pai: “Meu filho, chegou o fim!”. Dentro em mim havia um buraco, expulso por completo o conteúdo do meu corpo, aquelas palavras brincavam de voar no vazio do meu ser, batendo nas paredes laterais e internas da minha cabeça: “Meu filho, chegou o fim!”.
- Padre, por que o homem vive tão intensamente oitenta e três anos, ignorante de seu fim, mas conhece-o quando está bem próximo?
- Meu filho é mistério, que somente a Deus é dado conhecer. Mas conjeturas são bem-vindas.
- Como assim, padre?
-Assim, meu filho: podemos imaginar razões naturais ou razões sobrenaturais. Dentre as primeiras, temos um homem no cimo da montanha dos oitenta e três anos, no declínio das forças, sem o vigor de outrora, tendo aos ombros o peso da ancianidade, a sofrer o terremoto de uma terrível doença. Estremece, tenta se firmar, equilibra-se, cai; prostra-se, tenta ainda se soerguer... e na luta que trava com esse terrível inimigo vai perdendo as forças, vai sentindo esvair-se a própria vida, até que, impotente de todas as potências, reconhece-se um trapo, um nada, um morto-vivo. A vida escapou-lhe talvez pelos poros e teima em estar presente na psique, como uma chama breve que vai desaparecendo ao sopro da brisa. Os limites do homem estão sendo postos à prova, e tendo ele atingido o seu, reconhece-se no fim, sente que esta velha máquina a qualquer momento pára, e, enfim, desiste de resistir, e consciente começa a morrer lentamente, assistindo ele próprio à destruição do que ainda lhe resta. Como o cisne, conhecendo a proximidade da morte, canta seu último canto: “Meu filho, chegou o fim”.
- Esta seria a explicação natural...
- A natural. Entremos na sobrenatural.
Enquanto isto eu acelerava mais o carro, pois uma má impressão me dava aqui dentro de que não chegaríamos a tempo de levar ao meu pai o último socorro, o conforto e esperança para seu espírito. Olhei para o meu passageiro, emudecido de repente; a cabeça um pouco pendida e gota de suor a escorrer se desviando do pomo em direção ao tórax.
- Problemas, padre?
- Não... Sim, minha mãezinha, está também velhinha. Daqui a pouco terei que buscar suas razões, inquirir dos valores naturais e dos sobrenaturais, menos para aliviar-me na perda dela do que para responder ao meu subconsciente às indagações sobre seus momentos finais; e anseio por respostas que satisfaçam aos dois valores. Ao dizer isto os seus olhos brilharam; e se a lágrima veio ao rosto, não a pude ver, pois fui obrigado a dar mais atenção ao trânsito, sob pena de bater noutro carro.
- Padre, a razão sobrenatural!
- Ah! Temos pouco tempo, mas vejamos. O seu pai recebeu uma graça de conversão, que é como um aceno de Deus: “Você, meu filho pródigo, tem o seguinte prazo para voltar para casa, e fazer as pazes com seu velho pai”. Se voltar, será bem recebido. Deus o espera, como aquele outro pai do Antigo Testamento. O filho, ainda entre os mortais, pode escolher de passar o último dia genuflexo, diante da porta que a qualquer momento será aberta para ele abraçar, ainda de joelhos, os pés daquele que lhe dera a vida, e que agora a restitui com promessa de eternidade. Reconciliação é a chave que lhe abre porta... O velho sacerdote, empolgado com o tema dos Novíssimos, parecia fazer sermão aos fiéis na Semana Santa. Discorreu longamente sobre “reconciliação”, “salvação eterna”, “desígnios divinos”. “Não nos é dado conhecer, por nossas potências, o fim do desterro ao qual o pecado nos submeteu, mas muitos são – como seu velho pai – que demonstram sabê-lo a poucas horas do túmulo”; citou Bernardes: “Assim como não soube o dia de minha entrada nele (mundo), tão pouco sei o de minha saída”, e, ao cabo, notando a minha apreensão e a proximidade já do hospital, concluiu com Jó: “O homem nascido da mulher vive pouco tempo e é cheio de muitas misérias; é como uma flor que germina e logo fenece”.
Chegamos, apeamos e fomos ver o nosso homem.
Qualquer descrição que fizesse da natureza, do crepúsculo, das sombras que rondavam o hospital, do bafejo da brisa, do semblante das pessoas, seria mera literatura. Nada via senão o meu pai; nada me atraía a atenção, nada mais ocupava o meu pensamento, nada mais tinha existência senão o meu pai, e era preciso prolongar essa existência, era preciso garantir-lhe a certeza da outra existência; a pregação do sacerdote se repetia lá no âmago de meu ser, como o eco de um sino que deixara de bater.
Ao pé do leito, quando apalpei o seu pé, seco e amarelento, repetindo o gesto das outras vezes, tive um sobressalto: estava frio, frio como o ambiente que o abrigava, como as pessoas que o assistiam. Abriu os olhos, e em tom de surpresa:
- Meu filho!
- Papai – disse-lhe com a emoção meio embargando a voz – trouxe-lhe um padre...
- Oh! meu filho, muito obrigado, Deus lhe pague!
O sacerdote chegara para ajudá-lo a se preparar, a morte era já no caminho: a alma que vestisse roupa nova, expulsasse os maus elementos e começasse a rezar pelas suas futuras companheiras. Abriu a maleta, tirou o aspersório e deu de aspergir tudo, começando pelo meu velho moribundo; nesse momento o meu pai abriu a boca e soltou um urro, de sonido feio, depois quietou, plácido, lúcido e desejoso de acompanhar as orações. Rezamos o confiteor, que é ato penitencial, e foi-lhe dada a absolvição dos pecados: “Deus Pai de Misericórdia que pela ressurreição de Seu Filho reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”. Deu-lhe hóstia, que recebeu naturalmente, quer dizer, sem obstáculos na deglutição, e radiante.
O padre Luiz era singelo no ofício, a modo de quem pouco pensa no que faz, sem lhe botar emoção, mas fazia com graça. Pegou ainda do livrinho para os dois momentos finais: a Unção dos Enfermos, cuja fórmula inicia com estas palavras: “Por esta Santa Unção e pela Sua infinita misericórdia...” e a Bênção Papal: “Eu, pela faculdade que me foi dada pela Sé Apostólica, te concedo indulgência plenária e perdão de todos os teus pecados...”. Com os acréscimos de um Pai Nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai. No instante em que iniciamos a oração do Pai Nosso, o meu pai – querendo seguir o costume – fez menção de elevar as mãos, mas foi impedido pelos cordões que o amarravam, e o mesmo quando quis se benzer.
Vem a propósito definir o que foi a existência de meu pai até aqui, e o que vem a ser o que acabamos de contar: Preâmbulo, apenas um preâmbulo. Sim, porque “a morte é premissa de vida e de fruto abundante” , pois a verdadeira vida começa após a morte, duradoura, eterna. Nesta vivemos a contar o tempo, na outra não há tempo cronológico, como dizia Santa Tereza: “Espantava-nos muito, o dizer-se, no que líamos, que a pena e a glória eram para sempre. Acontecia-nos estar grandes bocados tratando disto e gostávamos de dizer muitas vezes: para sempre, sempre, sempre ”.
Para sempre, sim, e para sempre é a separação física, enquanto estivermos nesta vida, “gastando os últimos cartuchos”, mas será grande a alegria se com ele, meu pai, nos reunirmos lá onde Deus tem sua morada, morada celeste.
Retornei com o sacerdote para a sua igreja. Nada mais falamos. Talvez algum comentário sobre o tempo... Despedimo-nos, agradeci muito, osculei sua mão. Fui para casa dividido o pensamento entre o padre e o pai: o padre, um pai; o pai, um padre.
Recorro novamente ao prontuário, essa testemunha muda, tesoureira dos instantes mais dolorosos de meu pai. Olho-o com carinho, folheio as suas páginas cuidadosamente, passeando os olhos pelas letras dos médicos, hieroglíficas, misteriosas, apocalípticas, e detecto mais algumas cenas da tragédia paterna.
Sobre a unção dos enfermos
Sobre a unção dos enfermos, reza o Catecismo da Igreja Católica: "A compaixão de Jesus pelos doentes e as numerosas curas de enfermos são um claro sinal de que, com Ele, chegou o Reino de Deus e a vitória sobre o pecado, o sofrimento e a morte. Com a sua paixão e morte, Ele dá um novo sentido ao sofrimento, o qual, se unido ao seu, pode ser meio de purificação e de salvação para nós e para os outros." (n. 314) e "A Igreja, tendo recebido do Senhor a ordem de curar os enfermos, procura pô-la em prática com os cuidados para com os doentes, acompanhados da oração de intercessão. Ela possui sobretudo um sacramento específico em favor dos enfermos, instituído pelo próprio Cristo e atestado por São Tiago: «Quem está doente, chame a si os presbíteros da Igreja e rezem por ele, depois de o ter ungido com óleo no nome do Senhor» (Tg 5,14-15)." (n. 315).
Alguns “fatinhos” do passado
Eis algumas narrações que a mamãe fez de suas lembranças do passado:
Lembranças da infância
“Meu avô se chamava João Josino e era originário de Tibau, no Rio Grande do Norte. Dizia ele que a sua família, a Josino, era descendente da Holanda. Certo dia, quando eu estava com uns 3 anos de idade (se não me engano), meu pai levou a família e fomos morar em Areia Branca, próximo de Tibau. Minhas irmãs mais velhas (do primeiro casamento de mamãe) foram para a praia e me deixaram em casa com a mamãe. Então eu chorei tanto para ir também com elas pra praia que adormeci (consolada pela mamãe) e quando acordei estava toda dormente de tanta raiva. Demoramos pouco tempo em Areia Branca, logo voltamos para nossa casa em Portalegre. Mas lá em Portalegre a família terminou por se separar. Um dia meu pai bateu em Maria, que era muito geniosa, cansando revolta nos outros filhos, principalmente nas minhas irmãs mais velhas. Foi tanta a confusão causada que isto nos fez separar – minhas irmãs mais velhas (que não eram filhas do papai) foram morar separadas, pois não aceitavam o rigor com que papai as tratava”.
O gavião
“Quando éramos ainda recém casados, sem filhos, mas morando em nossa casa, certo dia veio um gavião e desceu sobre os pintos para pegá-los, mas no momento exato errou o bote, bateu em alguma coisa e ficou ferido no chão. O Francisco foi tentar enxotar a ave, mas eu briguei com ele, com pena do animal, dizendo que não lhe fizesse mal e o deixasse livre. Porém, repentinamente, o gavião atacou o Francisco e lhe feriu no rosto. Vendo-o com o rosto sangrando não contei conversa: peguei um pau e parti para cima do bicho com raiva. Aí o Francisco voltou-se para mim e disse: Eis uma prova de que realmente você gosta de mim!
O ganha-pão
“Antes mesmo de casar-se eu já sabia fazer trabalhos domésticos, fazia renda de bilro, costurava e fazia renda de rendes com a mamãe. Isto me dava alguma renda para ajudar nas despesas de casa. Quanto ao Francisco, ele já havia também se acostumado desde jovem a trabalhar para sustentar seus irmãos mais novos. Ficou órfão muito novo, aos 12 e 16 anos de idade (primeiro da mãe e depois do pai), e desde então trabalhava para sustentar a família, composta pelas suas irmãs, o irmão e a madrasta. Suas irmãs se chamavam Antonia, Anália, Salomé e Rita, e tinha também em sua companhia um irmão caçula chamado Hermes. O Francisco trabalhava no roça plantando milho, feijão e mandioca. Mas também criava animais, como carneiros e porcos, para engordar e vender na feira. Às vezes tinha que matar uma criação ou um porco para ir vender a carne na feira e assim conseguir dinheiro para suprir as necessidades da família.
Minhas cunhadas eram de personalidades fortes, mas diferentes. A Anália era preguiçosa e arrogante, queria mandar em tudo e vivia sempre me pirraçando. Antonia, a mais velha, tinha um pouco de tudo isto mas em grau menor. Era mais compreensiva, mas também não trabalhava para ajudar o irmão. A Rita também não ajudava em nada. Quanto à Salomé, já vivia com seu marido e pouco sei dela.
Já o irmão menor do Francisco, o Hermes, desde cedo revelou-se irresponsável, era jogador e se aproveitava da bondade do irmão que o sustentava. Os outros dois irmãos, Pedro Doca, eram casados e viviam com suas famílias em lugares distantes.
O “regenerado”“Quando chegamos em Fortaleza, conheci um casal que foi pra mim um verdadeiro exemplo de concórdia e de fidelidade conjugal. No início do casamento o marido passou a agir com muita grosseria e rudeza para com a esposa. Esta, porém, suportava tudo calada, sem nada reclamar. Os dias foram se passando e aquele homem sempre a tratar mal a sua esposa e sem que esta nada replicasse, suportando tudo com resignação cristã. Certo dia o homem tratou mal à sua esposa como era costume, e, vendo-a resignada sem nada lhe replicar, parou um instante, ficou olhando admirado para ela e, pasmado, disse para a esposa: “Meu Deus, eu não mereço uma esposa tão boa. Sendo assim, a partir de hoje vou mudar de vida e vou tratá-la diferente, com carinho e amor”. Realmente, a partir daquele dia o marido mudou completamente de comportamento e durante muitos anos que os conheci viveram em santa harmonia.
Os filhos que deram mais trabalho com doenças
“Logo quando chegamos em Fortaleza, os filhos que deram mais trabalho com doenças foram o Juraci e o Jurandir. Apesar de ser muito robusto, o Jurandir foi acometido por um ataque repentino de uma estranha doença que lhe tapava a garganta, sufocando-o. Sua vida foi salva graças a meu cunhado, o José, esposo de minha irmã Antonia. Estando ele na nossa casa, ao ver a criança disse ao Francisco que aquilo era crupe e que o levasse com urgência ao médico, pois era doença que mata em 24 horas. Francisco ficou agoniado, foi até um vizinho, pediu ajuda e o mesmo nos levou em seu carro a procura de médico. Este já era conhecido do Francisco, o qual lhe telefonou antes perguntando se poderia atendê-lo em virtude do adiantado da hora, pois já era noite. O médico foi muito gentil e disse que levasse a criança até sua casa, deu o endereço e ficou aguardando. E lá fomos, eu, o Francisco, o Jurandir e o vizinho. Quando a consulta terminou já era quase uma hora da madrugada. O Francisco não tinha dinheiro e o médico, muito caridoso e amigo, emprestou-o para que fosse comprar o remédio com urgência em alguma farmácia de plantão. E aí fomos no mesmo carro a procura de alguma farmácia, até que a encontramos aberta e compramos o remédio. Na farmácia foi aplicada uma injeção passada pelo médico, enquanto o outro remédio levamos para continuar medicando-o em casa. Quando chegamos em casa foi que vimos que a coisa era realmente muito feia. Antes do e feito da injeção a criança estava sendo sufocada mas ainda um pouco quieta. Agora, porém, o menino ficava o tempo estrebuchando, pulando (tinha quase dois anos) e impaciente com os ataques da doença. Aí nos revezamos a noite inteira: eu ficava com o menino nos braços um tempo, e quando cansava passava para o Francisco. De 3 em 3 horas a gente dava o outro remédio. Até amanhecer o dia... Os acessos foram diminuindo, diminuindo, até parar completamente.
“O Juraci também foi atacado por estranha doença que até hoje não sei o que foi. O menino estava bonzinho e, de repente, arriou das pernas e não conseguia mais andar. Eu e o Francisco ficamos aflitos pois ele já tinha 3 anos de idade e andava normalmente até aquele momento. Até hoje não sei que doença foi aquela; só sei que o levamos ao médico, demos o remédio e ele ficou curado.
Alegria de nascer em boas companhias
A mãe dos quatrigêmios é americana. A filmagem num momento de hilaridade dos bebês mostra a satisfação, a alegria, o entusiasmo com os presentes que Deus lhes deu, o que distoa completamente de certa gente que fica triste quando tem um filho... Ou, até mesmo, no caso das mães perversas, abortam, matam ou desprezam o fruto de seus ventres.
Você sabe o que é friki?
É uma nova "onda". Pretende ser sucessora da onda "hyppie", da onda "pank", da onda "skinhads", da onda "rap", das mil e uma ondas que já surgiram para ditar uma moda toda diferente: uma total despersonalização do homem. Os "frikis" são chamados de "otaku" no Japão, nos Estados Unidos de "freak", etc. O aderente dos "frikis" é um sujeito que vive num mundo completamente irreal, virtual como dizem, uma espécie de autismo consentido, sem participar de nenhuma sociabilidade, fechado dentro de si e dentro de casa, consumindo dia e noite programas de internet, vídeos e filmes de ficção, e levando uma vida em contraste com toda a sociedade. Não pensem que estou inventando coisas: a onda "friki" já predomina em vários países, somente no Brasil ainda não "engrenou". Dizem que quando o sujeito chega ao último estágio do "frikismo" ele perde completamente a capacidade de pensar, vive unicamente pelos impulsos e pelos instintos. Estão dizendo que o "friki" vai ser o "homem do futuro": sem idéias próprias, sem religião, sem Deus, absorto dentro de si mesmo, mas tendo outros "deuses" e outras "religiões" que a internet e a mídia eletrônica vai criando para ele através dos filmes exóticos, esquisitos, personagens estranhas e enigmáticas, etc. No vídeo que aqui divulgamos eles fazem propaganda de suas "sete maravilhas", que substituem as outras da antiguidade clássica. É uma pequena amostra. Mas quem quiser saber mais clique aqui e acesse o Quodlibeta.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Abençoe, Senhor, nossas famílias
A música do padre Zezinho é um pouco antiga e muito conhecida, mas o vídeo abaixo a apresenta junto com expressivas fotos em forma de slides. Vale a pena ver.
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